PSDB vai reagir a ‘qualquer posição autoritária’ de Bolsonaro, diz Bruno Araújo

Ao mesmo tempo, presidente do PSDB disse que legenda pretende apoiar pautas "liberais" do governo para a livre iniciativa e geração de empregos


O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou nesta sexta-feira, 9, em Belo Horizonte, que o partido vai reagir a “qualquer atitude anticivilizatória” e a “qualquer posição autoritária” do presidente Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, disse que a legenda pretende apoiar pautas “liberais” do governo para a livre iniciativa e geração de emprego e renda.

Foto: George Gianni / PSDB
Bruno Araújo afirmou que partido vai contra eventuais decisões autoritárias de Bolsonaro

“O PSDB vai reagir de forma sempre muito firme a qualquer atitude anticivilizatória, qualquer posição autoritária, qualquer coisa que leve a posições extremas. O PSDB vai colaborar, como colaborou, com a reforma da Previdência. Quando a pauta for liberal, apoio à livre iniciativa, geração de emprego e renda, conta com o PSDB. Quando a pauta for posições extremas, que tratem com relações desrespeitosas regiões do país, que cobre posições e negue posicionamentos claros da História brasileira, vai ter reação do PSDB”, disse Araújo, que participou na capital mineira de encontro com lideranças do Estado.

O PSDB apoiou Bolsonaro na disputa presidencial de 2018, mas não faz parte da base do governo no Congresso Nacional. Araújo disse que os tucanos não fizeram nenhuma indicação para o atual governo.

O comentário de Araújo, que é de Pernambuco, ocorre depois de declarações de Bolsonaro sobre Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, (OAB), Felipe Santa Cruz, que lutou contra a ditadura militar. Sobre Fernando Santa Cruz, Bolsonaro disse que teria sido morto por colegas da esquerda. Documentos oficiais do Estado brasileiro indicam, no entanto, que o pai do presidente da OAB foi morto pela repressão.

O presidente do partido afirmou ainda que o PSDB pretende reagir a extremos de direita e de esquerda. “Mantendo posições muito firmes de um partido que acredita no liberalismo da economia e nas políticas sociais para diminuir as desigualdades”.

Bruno Araújo reconheceu que o comportamento atual de Bolsonaro é o mesmo de antes da eleição. “O PSDB ficou com duas alternativas. Ou o PT ou o Bolsonaro. Teve que optar. Nossa natureza foi anti-PT. O enfrentamento ao PT. Eu votei em Bolsonaro como negação ao PT, que foi o partido que enfrentamos. Talvez a liturgia da Presidência da República, da cadeira da Presidência da República impusesse alguns limites. Talvez esses limites não tenham sido estabelecidos pela força da instituição. O PSDB não rasga o voto nem deixa de decidir”, declarou.

Conselho de Ética

O Conselho de Ética do PSDB, que poderá determinar uma possível expulsão do deputado federal Aécio Neves (MG) da legenda, começará a funcionar dentro de dez dias, segundo Araújo. O presidente do PSDB em Minas, Paulo Abi Ackel, afirmou que “não há que se falar” em expulsão do colega.

Araújo atenuou possíveis estragos no partido em função do destino de Aécio Neves. “Não somos seita. Seita não tem discussão. Segue todo mundo o mesmo caminho. O partido tem posicionamentos, tem compreensões diferentes”, afirmou.

“O ex-senador, ex-governador, deputado Aécio Neves tem, da minha parte, e de grande parte do partido, uma relação de absoluto respeito por sua história, pelo que fez pelo Brasil, pelo que fez por Minas, vai ser tratado com absoluto respeito especialmente da minha parte, fazendo com que a regra do jogo siga democraticamente e respeitando todos os direitos”, acrescentou Araújo.

Também presente no encontro de tucanos, Aécio Neves não respondeu se acredita que poderá ser expulso, ou se pode deixar o partido, e comentou a declaração do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, dizendo que no PSDB seria “ou eu, ou ele”, se referindo ao deputado.

“Cada um escolhe a forma mais adequada de fazer política. E todos nós seremos julgados ao final. Dediquei os últimos 30 anos de minha vida a construir o PSDB em Minas e no Brasil, e obter vitórias extraordinárias que transformaram a vida de muita gente. Em especial as que tivemos em 2016, quando depois da campanha que liderei em 2014, sob a minha presidência, o PSDB teve a mais extraordinária vitória de toda a sua história, vencendo em cidades extremamente importantes do país como São Paulo, por exemplo”.

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