Operação mira em esquema de propinas na Riotur


Policiais e promotores de Justiça cumpriram nesta terça, 10, dezenas de mandados de busca e apreensão em investigação que apura a existência de um esquema de corrupção na Prefeitura do Rio, na gestão do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). Endereços ligados ao presidente da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), Marcelo Alves, um dos investigados, foram vasculhados. Crivella não foi alvo da operação, mas também está sob investigação no caso – ele negou, em vídeo ter participação nas suposta irregularidades.

A investigação é baseada na colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso em maio de 2018 pela operação Câmbio, Desligo, desdobramento da Lava Jato no Rio. Mizrahy apontou Rafael Alves, irmão do presidente da Riotur, como responsável por um esquema de propinas na prefeitura. Segundo o delator, Alves viabilizava a contratação de empresas para a prefeitura e o recebimento de faturas antigas em aberto em troca do pagamento de propina.

Por citar Crivella, a investigação está a cargo do Grupo de Atribuição Originária em Matéria Criminal (Gaocrim) do Ministério Público do Rio. O grupo é diretamente subordinado ao procurador-geral de Justiça, José Eduardo Gussem, que apura casos envolvendo pessoas com foro especial. Os dezessete mandados de busca e apreensão foram expedidos pela desembargadora Rosa Maria Helena Guita.

Segundo o MP-RJ, os mandados foram cumpridos em Copacabana, na zona sul, e Barra da Tijuca e Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, e também em Angra dos Reis, na Costa Verde. Um dos endereços vasculhados foi o da a sede da Riotur, que fica na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. Os agentes chegaram às 6h. Crivella participaria de um evento no local às 9h, mas não compareceu. Um endereço ligado a Rafael Alves também foi visitado.

Consultado pela reportagem, o MP-RJ não informou se cumpriu todos os dezessete mandados ontem. A instituição alegou que a investigação corre em sigilo.

Resposta

“O delator diz que não me conhece nem me deu dinheiro. A tal propina seria para que eu pagasse dívidas do governo do Eduardo Paes para uma empresa (…). Não paguei um tostão para essa empresa, que nem sequer tem contratos no meu governo”, afirmou Crivella, em vídeo divulgado em suas redes sociais.

Em nota, a Riotur informou que “na figura do presidente Marcelo Alves, se coloca inteiramente à disposição dos órgãos fiscalizadores para esclarecer qualquer dúvida que possa existir” durante a investigação. “Certamente a conclusão da investigação trará luz a esta gestão, que é regida pela dedicação absoluta, responsabilidade, transparência e honestidade.”

Procurado, Marcelo Alves não se manifestou até a publicação desta matéria. Rafael Alves não foi localizado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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