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Inquérito das Fake News

Grupo bolsonarista protesta em frente ao STF com tochas e máscaras

Manifestantes gritaram palavras de ordem contra o Supremo e o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news

Por Agência Estado

31 Maio 2020 às 11:09 • Última atualização 31 Maio 2020 às 11:42

O grupo bolsonarista “300 pelo Brasil”, liderado pela ativista Sara Winter, fez um protesto no sábado à noite em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O grupo carregava tochas acesas, e algumas pessoas usavam máscaras de personagens de filmes de terror cobrindo todo o rosto.

Protesto foi realizado em frente ao STF na noite de sábado – Foto: Wallace Martins / Futura Press / Estadão Conteúdo

Os manifestantes carregavam uma faixa onde se lia “300” e também tochas acesas e marcharam em frente ao STF gritando palavras de ordem contra o Supremo e o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news.

O ato ocorre depois de Sara e empresários bolsonaristas terem sido alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito da investigação que apura ameaças, ofensas e fake news contra ministros da Corte e seus familiares.

“Viemos cobrar, viemos cobrar, o STF não vai nos calar”, “careca, togado, Alexandre descarado”, “ministro covarde, queremos liberdade” e “inconstitucional, Alexandre imoral” foram alguns dos gritos de ordem entoados pelo grupo, segundo vídeos divulgados nas redes sociais dos próprios integrantes da manifestação.

Integrantes do STF ouvidos reservadamente pelo Estadão/Broadcast apontaram semelhanças entre o protesto de Sara Winter e a manifestação de neonazistas e membros da Ku Klux Klan que ocorreu em 2017 na cidade de Charlottesville, nos Estados Unidos. A “KKK” é organização racista dos Estados Unidos que prega a supremacia branca e já praticou inúmeros atos violentos contra negros.

A reportagem procurou a Polícia Federal e o STF para comentar o protesto em Brasília, mas eles não se pronunciaram até a publicação deste texto. O Planalto informou que não vai comentar.

“Sobre nosso protesto de ontem: a ideia foi de um apoiador que é judeu e quem comprou as tochas e máscaras foi um organizador dos 300 que é negro. Pra esquerda, tocha: símbolo nazista. Sempre tentarão emplacar essa narrativa. Aqui não cola mais”, escreveu Sara no Twitter na manhã deste domingo (31).

Vídeo

Após a operação da última quarta-feira (27), Sara divulgou nas redes sociais um vídeo com ofensas a Moraes e aos demais ministros da Corte. Ela chegou a desafiar Moraes a “trocar socos”.

“Eles não vão me calar, de maneira nenhuma. Pelo contrário, eu sou uma pessoa extremamente resiliente. Pois agora, meu e não é que ele mora em São Paulo? Porque se estivesse aqui eu já estaria na porta da casa dele convidando ele para ‘trocar soco’ comigo. Juro por Deus, essa é a minha vontade. Eu queria trocar soco com esse ‘filha da puta’ desse ‘arrombado’! Infelizmente não posso, mas eu queria. Ele mora lá em São Paulo, né? Pois você me aguarde, Alexandre de Moraes. O senhor nunca mais vai ter paz na vida do senhor!”, esbravejou a ativista.

O vídeo foi encaminhado por Moraes ao procurador-geral da República, Augusto Aras, que o enviou ao Ministério Público Federal do DF. O caso está agora com o procurador Frederick Lustosa de Melo, que vem sendo pressionado por colegas para pedir logo à Justiça Federal a imposição de medidas cautelares contra a ativista.