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Brasil e Mundo

Trabalhista assume país em crise, com plano de arrecadar mais em impostos

Por Agência Estado

06 de julho de 2024, às 10h21

O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, se tornou nesta sexta-feira, 5, o primeiro-ministro do Reino Unido após uma vitória histórica que garantiu à legenda 412 das 650 cadeiras no Parlamento. Em meio à esperança de novos tempos, o momento é de cautela. Segundo analistas, os trabalhistas, que voltam ao poder após 14 anos, precisarão alinhar suas propostas à realidade de um país em crise econômica.

Em seu manifesto, as melhorias propostas pelo Partido Trabalhista seguem linhas convencionais. Prometendo investimentos em serviços públicos de saúde, construção de moradias e um sistema de planejamento, a legenda garantiu a vitória sem muita ousadia em suas propostas. “Eles são convencionais e propõem melhorias similares as do Partido Conservador, mas com motivos e formas diferentes”, afirma Andrew Crines.

Do ponto de vista fiscal, segundo Ellis, os dois partidos também têm formas parecidas. “Sunak foi eleito por conseguir a confiança do eleitorado sobre impostos. Já o Partido Trabalhista prometeu aumentar impostos, mas sem prejudicar a maioria da população. O partido precisa agora é dar continuidade ao que estava sendo feito”, diz Ellis

Em Downing Street, residência e escritório oficial do primeiro-ministro, uma multidão acompanhou a chegada de Starmer e de membros do novo gabinete. Duas eleitoras dele, Mauren e Monica, mãe e filha, saíram da Escócia para prestigiar Starmer. “Ele (Starmer) é um grande homem. A gente confia que ele possa tratar bem assuntos como o sistema de saúde e assistência social”, afirmou Mauren.

Do outro lado da rua, com uma bandeira da União Europeia, o casal Martyn e Vivian fazia um protesto: originário da Romênia, país que luta para entrar no bloco europeu, ele lamentou o Brexit. Os dois dizem não ser apoiadores do Partido Trabalhista, mas estavam felizes com a eleição. “Queríamos tirar os tories (conservadores, do poder)”, disseram.

Prioridades

Depois de ser convidado pelo rei Charles III para formar governo no Palácio de Buckingham, Starmer discursou do lado de fora, em Downing Street, prometendo reconstruir o Reino Unido e fazer um “governo de serviço”. O primeiro-ministro, no entanto, afirmou que as mudanças não serão sentidas de uma hora para outra. Com ele, estava Rachel Reeves, a primeira mulher a se tornar secretária do Tesouro. Para o posto de chanceler, foi escolhido um advogado negro, David Lanny.

Para analistas, o partido precisará definir suas prioridades, adequando aquilo que foi prometido aos eleitores à realidade do Reino Unido, que nos últimos anos vem enfrentando uma crise econômica. “Fala-se muito sobre investir no sistema de saúde, zelar pela educação de nível superior e dar fim nas altas dívidas do governo, mas isso são apenas expectativas agora”, disse o professor Andrew Crines, do departamento de política da Universidade de Liverpool.

Para Crines, o cenário político e econômico atual requer cuidado. “Eles (trabalhistas) pegaram o sistema em um estado precário e terão de tomar medidas muito seletivas para o que vem pela frente”, explica.

Para Colin Ellis, da Bayes Business School, em Londres, não é um grande momento econômico para o país. “Não é como a posse do Partido Trabalhista em 1997 (de bom momento econômico). Desta vez, eles herdaram grandes desafios”, disse.

Com o PIB patinando, com crescimento caindo de 1,6%, em 2019, para 0,1%, em 2023, e uma evidente crise no setor de saúde, Starmer herdou uma difícil herança de uma sequência de cinco governos conservadores. “Ele não tem muito o que fazer de novo agora. O desafio é simplesmente conseguir manter as coisas girando. Depois disso, podemos falar em melhorias”, afirma Ellis.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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