Restos mortais de Francisco Franco são exumados 44 anos após sua morte


Os restos mortais do ditador espanhol Francisco Franco foram exumados nesta quinta-feira, 24, de um mausoléu público no Vale dos Caídos, nas proximidades de Madri, onde estavam desde sua morte, há mais de quatro décadas.

Os restos mortais de Franco serão levados ao cemitério particular Mingorrubio, no bairro de El Pardo, ao norte de Madri, onde ele será enterrado na cripta da família ao lado de sua mulher, Carmen Polo. Se a visibilidade permitir, o traslado será feito de helicóptero. Se não for possível, a viagem ocorrerá por terra.

Momentos antes do início da operação, 22 membros da família do general, que governou a Espanha com mão de ferro entre 1939 e 1975 após sua vitória na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), entraram na basílica para acompanhar a exumação, que foi realizada a portas fechadas.

Uma vez no cemitério, a missa para o novo sepultamento será conduzida pelo padre Ramón Tejero, filho de Antonio Tejero, o tenente-coronel que liderou uma tentativa frustrada de golpe de Estado em 1981.

Exumação polêmica

A operação para exumar os restos mortais de Franco provocou muitas discussões e reabriu velhas feridas na Espanha. O governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez transformou a exumação em uma de suas prioridades depois de chegar ao poder em junho de 2018, para que o mausoléu em questão deixe de ser um lugar de exaltação do franquismo.

Sánchez havia prometido a exumação ainda para 2018. Mas o processo foi adiado em mais de um ano em razão da batalha judicial iniciada por sete netos do ditador.

A oposição acusa o líder do PSOE de utilizar a exumação para obter frutos eleitorais a pouco mais de duas semanas das eleições legislativas, que serão realizadas no dia 10 de novembro.

“Isto deveria ser feito em um período não pré-eleitoral”, disse o líder do partido de esquerda radical Podemos, Pablo Iglesias.

“Nós não vamos gastar nem um minuto para falar sobre o que aconteceu na Espanha há 50 anos”, afirmou recentemente o líder do conservador Partido Popular (PP), Pablo Casado.

Santiago Abascal, líder do partido de extrema-direita Vox, criticou a “profanação de um túmulo”. (Com agências internacionais).

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