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Mundo

Reino Unido: Sunak deve encerrar 14 anos de governo conservador castigado por Brexit e pandemia

Por Agência Estado

04 de julho de 2024, às 21h23

O primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, liderou os conservadores em uma campanha que resultou em uma derrota histórica para o partido, conforme indica a pesquisa de boca de urna divulgada nesta quinta, 4. Mas Sunak trouxe consigo o histórico dos 4 antecessores que comandaram a legenda e o país durante 14 anos marcados pela saída da União Europeia (o Brexit), a pandemia de covid-19 e a mais forte escalada da inflação desde os anos 1970.

1) David Cameron – A cronologia do mandato conservador começa em 2010, quando David Cameron surfou na impopularidade dos trabalhistas, que estavam há 13 anos no poder. O primeiro-ministro à epoca era Gordon Brown, sucessor de Tony Blair que deixou como legado a impopular participação britânica na Guerra do Iraque. Instatisfeito, o eleitorado deu a Cameron a chance de governar, mas a eleição resultou em um governo de coalizão, que incluia os liberais-democratas como parceiros.

Já naquele momento, o partido estava profundamente dividido pela relação com a UE. Para aplacar a ala favorável ao divórcio com o bloco, Cameron prometeu que convocaria um referendo para definir a questão, embora fizesse campanha contra a saída. O compromisso deu certo no curto prazo, porque ajudou os conservadores a conquistarem a maioria do Parlamento na eleição de 2015. Mas o resultado do referendo, em 2016, surpreendeu o mundo, levou a uma liquidação dos mercados e deixou a elite política em choque. Por uma apertada margem de 52% contra 48%, o Reino Unido decidiu deixar a UE e, contrariado, Cameron renunciou ao cargo.

2) Theresa May – Para sucedê-lo, o partido escolheu Theresa May, uma política moderada que havia feito campanha pela permanência, mas que desde então adotou uma espécie de slogan para reassegurar os partidários da cisão: “Brexit Means Brexit” (Brexit significa Brexit, em tradução livre). A frase foi repetida à exaustão, mas May enfrentaria uma sequência de dificuldades para cumpri-la. Domesticamente, May sofria pressão dos dois lados do tema, dos que queriam uma saída rápida e radical aos que defendiam a realização de um segundo referendo. Em Bruxelas, a UE queria definir os próprios termos para um processo sem precedente.

Em uma tentativa de assegurar apoio da população, May convocou eleição antecipada ao Parlamento em junho de 2017, em um momento em que aparecia com sólida vantagem sobre a oposição liderada por Jeremy Corbyn nas pesquisas. No fim, a vantagem evaporou ao longo da campanha e os conservadores perderam a maioria absoluta no Parlamento. Para governar, tiveram que entrar em uma coalizão.

O arranjo dificultou ainda mais a tarefa de negociar a saída da UE. Ao longo dos anos seguintes, May apresentou diferentes propostas para um acordo com a UE, todos rejeitados no Parlamento. Uma delas implicou na maior derrota que um governo já teve na Câmara dos Comuns, com uma margem de 230 votos. Debilitada pelo revés, May renunciou em 2019 e deu lugar a Boris Johnson, que havia sido umas das principais figuras da campanha pelo Brexit.

3) Boris Johnson – Johnson se aproveitou da profunda divisão da oposição para assumir o controle da pauta, em uma manobra que culminou em uma confortável vitória do Partido Conservalor nas eleições de 2019. Com uma maioria absoluta, Johnson conseguiu negociar o Brexit. No entanto, apenas três meses depois do pleito, os primeiros casos de covid-19 começaram a circular na Europa. Em poucas semanas, o Reino Unido se transformou em um dos principais epicentros da doença. A crise sanitária acarreteu em uma recessão forte e consequente disparada dos gastos públicos.

A conta viria a partir de 2021, na forma de inflação. No auge da escalada dos preços, o país chegou a ser o membro do G7 com a mais alta taxa inflacionária, acima dos 10% no acumulado de 12 meses. Apesar disso, o que viria a derrubar Johnson já havia acontecido algum tempo antes. No final de 2021, começaram a circular denúncias de que funcionários do governo haviam promovido festas em Downing Street no natal de 2020, quando vigorava um rigoroso lockdown no país. Os relatos se multiplicaram e evoluíram para um escandâlo (o “partygate”), que levou à renúncia de Johnson em julho de 2022.

4) Liz Truss – A saída de Johnson abriu uma intensa disputa pela liderança do Partido Conservador entre a então ministra das Relações Exteriores, Liz Truss, e o ministro das Finanças, Rishi Sunak. Com uma plataforma que prometia cortes de impostos bilionários, Truss foi escolhida pelos integrantes da legenda e se tornou a terceira mulher a ocupar o cargo de premiê do país na história.

No dia seguinte à posse de Truss, a morte da rainha Elizabeth II paralisou a política britânica por uma semana. Passado o período luto, Truss anunciou um abrange pacote fiscal expansionista que incluía 45 bilhões de libras em cortes de impostos sem previsão de financiamento. Entre os mais polêmicos estava a eliminação do tributo de 45% para os mais ricos.

A reação do mercado foi imediata: a libra caiu ao menor nível da história, enquanto o prêmio cobrado pelos Gilts, os títulos públicos britânicos, dispararam. Truss até tentou recuar em alguns pontos do pacote, mas o desgaste se provou forte demais. A premiê renunciou após apenas seis semanas no cargo.

5) Rishi Sunak- -No lugar dela, o partido optou por confiar no candidato que havia terminado a disputa à liderança anterior em segundo lugar, Rishi Sunak. Logo no começo do mandato, no fim de 2022, Sunak prometeu reduzir a inflação à metade e conter a imigração ilegal ao país. A primeira promessa foi cumprida – em maio, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu à taxa anual de 2,0%, dentro da meta do Banco da Inglaterra (BoE).

O compromisso sobre a imigração, no entanto, se provou um pouco mais difícil. Diante disso, os conservadores começaram a enfrentar pressão da extrema-direita, liderada pelo populista Nigel Farage. Em maio, o partido governista teve duras derrotas nas eleições a cargos locais. Mas, com a aposta no alívio inflacionário, Sunak decidiu antecipar a eleição ao parlamento para hoje.

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