Prefeitos dos EUA pedem que Senado aprove controle mais rígido de armas


Mais de 200 prefeitos de cidades americanas pediram nesta quinta-feira, 8, que o Senado dos Estados Unidos adote uma lei urgente que permita estabelecer um controle mais rígido sobre a compra de armas, após dois grandes ataques a tiros no fim de semana deixarem mais de 30 mortos.

“Os trágicos eventos em El Paso e Dayton no fim de semana são só as últimas recordações de que a nossa nação não pode mais esperar que o nosso governo federal tome as medidas necessárias para evitar que as pessoas que não deveriam ter acesso às armas de fogo possam comprá-las”, escreveram governantes em carta.

A carta é destinada aos líderes republicano e democrata do Senado, Mitch McConell e Chuck Schumer, respectivamente. Nela, os prefeitos exigem que seja convocada uma sessão extraordinária para aprovar os projetos de lei, já aprovados na Câmara dos Deputados, que permitiriam verificar os antecedentes de todos os compradores de armas.

“Em 2019, já houve mais de 250 ataques a tiros em massa”, explicaram os 214 membros da conferência de prefeitos dos Estados Unidos, entre eles Dee Margo, prefeito de El Paso, no Texas, e Nan Whaley, de Dayton, em Ohio, as duas cidades onde os ataques do fim de semana deixaram 31 mortos.

Também assinaram o documento prefeitos de outras cidades que sofreram ataques a tiro nos últimos tempos, incluindo os de Orlando e Parkland, na Flórida, Pittsburgh, na Pensilvânia, e Annapolis, em Maryland.

O presidente da conferência, Bryan Barnett, disse que seus membros estão “na linha de frente” diante de uma epidemia que não pode esperar uma solução do governo federal e acrescentou que este não é um problema dos partidos.

A carta faz referência a dois projetos de lei de comprovação de antecedentes aprovados pela Câmara, controlada pelos democratas, em fevereiro. Um dos textos estabelece que o governo federal deve fazer um controle de antecedentes penais de todas as pessoas que queiram comprar uma arma, incluindo os que comprarem pela internet ou em festivais de armas.

O segundo projeto de lei aprovado pela Câmara busca ampliar o tempo que uma pessoa terá de esperar para comprar uma arma: agora, o FBI demora cerca de três dias para fazer o controle de antecedentes. A nova lei propõe aumentar para dez dias esse período, com o objetivo de impedir que alguém, de maneira impulsiva, adquira uma arma para cometer um atentado ou tirar a própria vida.

Ambos textos foram bloqueados por McConnell no Senado, que está nas mãos dos republicanos. O partido é próximo do principal lobby do setor no país, a NRA, que se opõe a qualquer obstáculo à venda de armas.

Os prefeitos explicaram que, se as leis tivessem sido aprovadas antes, grandes massacres poderiam ter sido evitados.

Na quarta-feira, o presidente Trump disse apoiar a legislação proposta no Senado que proíbe a venda para pessoas com doenças mentais. Acrescentou, porém, que acredita não haver apoio político suficiente para aprovar uma lei mais rigorosa, como a que já passou pela Câmara, ou as proibições de fuzis altamente letais.COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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