Lésbica, ex-senadora é a primeira mulher eleita para prefeitura de Bogotá

Claudia López, de 49 anos, representa a ascensão política da comunidade LGBT na Colômbia


A ex-senadora Claudia López, primeira mulher a ser eleita prefeita de Bogotá, representa a ascensão política da comunidade LGBT na Colômbia, onde os direitos dos homossexuais não estão plenamente garantidos.

Claudia, de 49 anos, que mantém um relacionamento com a senadora Angélica Lozano, rompeu uma barreira na América Latina, região que nunca havia tido em nenhuma de suas capitais algum membro desta comunidade como autoridade máxima.

Foto: Twitter_@ClaudiaLopez / Reprodução
Claudia López

Em seu discurso após a vitória – no qual foram vistas bandeiras dos partidos Aliança Verde e Polo Democrático Alternativo, que apoiaram sua candidatura, mas poucas com as cores do arco-íris -, a prefeita eleita afirmou que terá um governo diversificado que buscará, nos próximos quatro anos, mudar a cidade por meio da cultura cidadã.

A histórica vitória de Claudia ocorre em um país ainda dividido pelo acordo de paz de 2016, que desarmou os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Embora apoiasse o pacto de paz, ela não aceitou na campanha nenhuma aproximação com o partido homônimo formado pelos ex-rebeldes em razão de seu passado violento. Ao mesmo tempo, ela também se declara distante da “agenda do passado” do presidente Iván Duque, embora diga que trabalhará com o governo nacional.

“Bogotá não apenas votou para que a cidade mude nos próximos quatro anos, mas também para que essa geração mude toda nossa sociedade. Votou para que, através da cultura cidadã, da educação de qualidade e da igualdade, derrotemos o machismo, o racismo, o classismo, a homofobia e a xenofobia”, afirmou Claudia.

A ex-senadora estava acompanhada por mais de 20 políticos que a apoiaram, incluindo a senadora Angélica, sua parceira por muitos anos e a quem beijou quando entrou no palco sob aplausos dos participantes. “Que não haja dúvida, Bogotá votou porque a mudança e a igualdade são irrefreáveis”, acrescentou.

Claudia não esqueceu dos que tiveram papel importante em seu triunfo nas urnas. “(Todos) que abriram caminho para eu chegar até aqui, no dia em que uma mulher humilde, filha de uma professora, conquistou pela primeira vez o segundo cargo eleitoral mais importante do país.”

A prefeita eleita disse que terá um governo aberto, participativo e transparente com o qual procurará recuperar a confiança dos cidadãos nas instituições públicas. “Estou ciente da enorme responsabilidade que assumimos, não apenas para honrar o voto livre dos milhões de cidadãos, mas sobretudo para honrar sua confiança”, afirmou.

Por isso, Claudia convidou os moradores da capital a se unirem à mudança que propõe, pois considera que ela não depende exclusivamente do governo. “Bogotá realmente mudará se cada um de nós decidir ser um cidadão melhor todos os dias. Cidadãos não nascem, são criados, feitos através da inteligência e da cultura cidadã que hoje retorna a Bogotá. Isso ocorre com educação pública gratuita e de qualidade.” (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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