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Mundo

Justiça britânica nega extradição de Julian Assange para os EUA

Por Agência Estado

04 jan 2021 às 13:36 • Última atualização 04 jan 2021 às 23:05

Uma juíza britânica decidiu nesta segunda-feira, 4, que Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, não pode ser extraditado para os Estados Unidos para enfrentar acusações pelos crimes de espionagem e hackear computadores do governo para obter documentos secretos. As autoridades dos Estados Unidos acusam o australiano de 49 anos pela divulgação de uma vasta coleção de registros militares confidenciais americanos e informações diplomáticas que, segundo eles, colocaram vidas em perigo.

As revelações do WikiLeaks expuseram crimes de guerra dos EUA no Iraque e Afeganistão, detenções extrajudiciais na prisão de Guantánamo, em Cuba, e telegramas de diplomatas revelando abusos de direitos humanos em diferentes partes do mundo.

Os advogados de Assange argumentaram que toda a acusação foi motivada politicamente, movida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e que sua extradição representava uma grave ameaça ao trabalho dos jornalistas. Em uma audiência em Londres, a juíza Vanessa Baraitser rejeitou quase todos os argumentos da equipe jurídica de Assange, mas disse que não poderia extraditá-lo porque havia um risco real de que ele se suicidasse. “Diante de condições de isolamento quase total (…) estou convencida de que os procedimentos (descritos pelas autoridades dos EUA) não impedirão Assange de encontrar uma maneira de cometer suicídio”, disse ela.

Assange está sob custódia no Reino Unido desde abril de 2019. Antes, ele tinha ficado sete anos na embaixada do Equador na capital britânica para evitar uma extradição para a Suécia, pedida em 2010, em um caso de agressão sexual que viria a ser arquivado em 2017.

Revelações

O WikiLeaks ficou famoso em 2009 quando publicou centenas de milhares de mensagens enviadas por pagers em 11 de setembro de 2001, o dia do atentado nos Estados Unidos contra as Torres Gêmeas e o Pentágono. A ONG, fundada em 2006 por Julian Assange, permite a publicação online de documentos secretos sem identificar quem os vazou.

Pouco a pouco, suas revelações se tornaram mais controvertidas, como quando publicou um vídeo em que soldados americanos aparecem cometendo abusos no Iraque ou quando divulgou milhares de documentos militares sobre o Afeganistão.

Em novembro de 2010, o WikiLeaks publicou, com a ajuda de cinco jornais internacionais (The New York Times, The Guardian, Der Spiegel, Le Monde e El País), mais de 250 mil documentos secretos que revelavam segredos da diplomacia americana. Este episódio, depois batizado como “cablegate”, transformou o australiano em inimigo número 1 dos EUA. Ao todo, o WikiLeaks diz ter publicado “mais de 10 milhões de documentos” sobre vários assuntos, incluindo o mundo das finanças, do entretenimento e da política. (Com agências internacionais).

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