Incêndios deixam 3 mortos e australianos fogem para as praias


Impulsionados por rajadas de vento, um verão escaldante e temperaturas acima de 40°C, as centenas de incêndios florestais na Austrália se intensificaram ontem e obrigaram milhares de pessoas a fugir para as praias de New South Wales, sudeste do país, para escapar do fogo, que já matou 12 pessoas desde agosto e destruiu mais de 50 mil quilômetros quadrados – uma área maior que o Estado do Rio de Janeiro.

Ontem, três pessoas morreram. Pai e filho foram engolidos pelos fogo ao tentar proteger sua casa do incêndio que atingiu a cidade de Cobargo, no Estado de New South Wales, a cerca de 300 quilômetros da capital Camberra. Um bombeiro também morreu em Albury. Autoridades ainda procuram cinco pessoas desaparecidas. Em várias cidades da costa leste da Austrália, a população acuada buscou refúgio nas praias.

Em Mallacoota, no Estado de Victoria, a 500 quilômetros de Melbourne, cerca de 4 mil pessoas, incluindo turistas, fugiram para as praias. Muitos recorreram a barcos e botes salva-vidas para escapar do fogo.
O céu ficou vermelho, a temperatura chegou a 49°C e os ventos atingiram 80 quilômetros por hora. A cidade de pouco mais de 1.000 habitantes é parte da região de East Gippsland, cercada por parques nacionais, dos quais pelos menos 2 mil quilômetros quadrados já foram consumidos por cerca de 300 incêndios.

Em Batesman’s Bay, cidade de 11 mil habitantes em New South Wales, várias estradas tiveram de ser fechadas em razão do fogo e muitos habitantes também tiveram de ser retirados pelas praias. As mesmas cenas se repetiram em Bermagui e Jervis Bay. Ao todo, cerca de 100 mil pessoas ficaram desabrigadas nos últimos dias. Além dos prejuízos financeiros – ainda por calcular -, o fogo obrigou outras 30 mil a passar a virada do ano sem eletricidade e sinal de celular.

“Esta é a pior temporada de incêndio já registrada na Austrália”, disse Shane Fitzsimmons, comissário do Serviço de Incêndio Rural de New South Wales. Segundo ele, a dimensão dos prejuízos só poderia ser dada quando o fogo estiver sob controle. “Precisamos nos preparar para um número considerável de propriedades e casas que foram destruídas”, afirmou.

O fogo atingiu também em cheio a política australiana. Em sua mensagem de ano-novo, o primeiro-ministro, Scott Morrison, do Partido Liberal, disse que o impacto dos incêndios era “devastador” e alertou que as próximas semanas “serão difíceis”. “Gostaria que tivéssemos notícias melhores na véspera do ano-novo”, disse o premiê. “O que pode nos consolar é o espírito incrível dos australianos. Já enfrentamos desastres antes e conseguimos superar.”

A oposição, no entanto, responsabiliza o governo de Morrison pela reação lenta à crise que se arrasta desde agosto. O líder trabalhista, Anthony Albanese, pediu uma reunião de emergência do Conselho de Estado – que reúne autoridades federais e estaduais. “O primeiro-ministro diz que o conselho não precisa de se reunir até março. Isso não é aceitável.”

Albanese criticou até a tradicional queima de fogos de Sydney, que o governo de Morrison autorizou. “Entendo que o evento é importante para a nossa economia. Mas, em tempos como esse, é problemático levar uma festa adiante.”
Já a prefeita de Sydney, Clover Moore, que não tem partido nenhum, disparou contra o ministro da Energia, o liberal Angus Taylor, responsável pelo corte nas emissões de carbono, que dias atrás se disse “orgulhoso” das metas alcançadas pela Austrália. “Está muito claro que a culpa dos incêndios é da mudança climática”, afirmou a prefeita. “A Austrália está em chamas e somo um dos países que mais contribui para o aquecimento global. Por isso, o governo federal fracassou na sua política de redução de emissões de carbono.” (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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