Gustavo Franco: não acho boa ideia unificação das moedas brasileira e argentina


Ex-presidente do Banco Central (BC), um dos pais do Plano Real e atual sócio da Rio Bravo Investimentos, o economista Gustavo Franco criticou nesta sexta-feira, 7, a ideia de se criar uma moeda única para Brasil e Argentina. A ideia, que já foi refutada pelo Banco Central do Brasil (BCB), foi ventilada na quinta durante visita do presidente Jair Bolsonaro ao país vizinho. Hoje o presidente Bolsonaro voltou a tocar no assunto ao responder crítica do presidente da Câmara dos Deputados Federais, Rodrigo Maia.

“Eu não acho que é uma boa ideia, não”, disse o ex-presidente do BC. Ele chama a atenção para o caso europeu e para a quantidade de correspondências e harmonias que é preciso haver para uma moeda comum funcionar direito. “Inclusive no caso europeu, um fabricante supranacional da moeda. Tudo muito complexo”, disse Franco, que participou do seminário “O Direito e a Revolução Digital no Sistema Financeiro” que a Faculdade de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV) realiza na capital paulista nesta sexta-feira, 7.

Franco diz não acreditar que Brasil e Argentina estejam no estágio de integração em que estavam os europeus quando unificaram as moedas. “Sobretudo agora que estamos rediscutindo o Mercosul e querendo avançar na direção de liberalização do Brasil relativamente ao resto do mundo. E o Mercosul aparece como um entrave a esse movimento. Então, seguramente não é a hora de falar disso”, avaliou o ex-presidente do BC.

Questionado se em algum momento mais à frente valeria discutir o assunto, Franco disse que há primeiro que se falar de harmonização macroeconômica como foi no caso da Europa e que se transcorreu por um longo período até que ficasse viável.

“As duas economias, Brasil e Argentina, estão em trajetórias bastante diferentes de macroeconomia e cada um com seus problemas. Lá o assunto inflacionário é terrível. Fizeram recentemente congelamentos e outras coisas. Estamos bem na frente deles nesse assunto e nós temos as nossas agendas de reformas. Então, seguramente, é um assunto para bem depois”, disse Gustavo Franco.

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