Apesar de pandemia, democratas mantêm primárias em quatro Estados


Mesmo diante da pandemia de coronavírus, os democratas realizam hoje primárias em três Estados: Flórida, Arizona e Illinois. Em Ohio, que faria a quarta prévia do dia, o governador Mike DeWine pediu o adiamento da votação para junho nesta segunda-feira, 16. A decisão, no entanto, ainda depende de uma decisão judicial.

“Minha recomendação é adiar o processo para o dia 2 de junho”, disse DeWine. “Não há como sabermos quem nas filas de votação está infectado. Não deveríamos obrigar as pessoas a escolher entre sua saúde e seu direito constitucional.” Ohio já registra 50 casos de coronavírus, segundo dados oficiais.

O governador, que é republicano, explicou que o adiamento se refere apenas aos votos presenciais – cédulas enviadas pelos correios continuariam a ser aceitas. DeWine disse ainda que não tem o poder de adiar a prévia de maneira unilateral, mas afirmou que entrou com uma ação na Justiça e aguarda a decisão a qualquer momento.

O Estado da Geórgia já remarcou suas primárias para o dia 24 de março. A Louisiana, para o dia 4 de abril. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomendou o cancelamento de todos os eventos com mais de 50 indivíduos. Ontem, autoridades americanas pediram para que a população evite reuniões com mais de 10 pessoas.

O coronavírus já afetou a campanha eleitoral americana. No domingo, 15, o senador Bernie Sanders e o ex-vice-presidente Joe Biden realizaram um debate a portas fechadas. Durante o enfrentamento, os dois prometeram escolher uma mulher como vice-presidente. Ontem, ambos optaram por eventos virtuais, sem contato com os eleitores.

Em princípio, analistas acreditam que a pandemia poderia afetar mais diretamente a campanha de Biden, que tem um apoio muito maior entre os eleitores mais velhos, grupo de risco que talvez se sinta ameaçado pelo coronavírus e não compareça hoje às urnas. Sanders, cuja base é composta por jovens, seria beneficiado. No entanto, nos quatro Estados existe votação antecipada, que tem batido recorde nesta temporada de primárias.

No Arizona, que tem 16 casos confirmados de coronavírus, a metade dos eleitores já votou. Em Phoenix, cerca de 80% das seções de votação foram fechadas, seja por falta de mesários ou de material de limpeza para higienizar os locais. Por isso, o governo do Estado autorizou que os eleitores votem em qualquer seção – e não apenas na mais perto de casa.

Em Chicago, maior cidade de Illinois, o número de pessoas que votou antecipadamente foi o maior desde a 2.ª Guerra. O Estado já tem 93 casos confirmado de coronavírus e alterou 168 dos 2.069 locais de votação, que foram retirados das proximidades de asilos para idosos. Todas as mudanças poderiam atenuar a desvantagem de Biden, que lidera as pesquisas em todos os quatro Estados.

Na Flórida, o quadro parece mais grave. Com 155 casos confirmados, 5 pessoas já morreram. Os números da votação antecipada são fracos e cerca de 20% da população está acima dos 65 anos. O governador republicano Ron DeSantis declarou estado de emergência e trocou locais de votação, para afastar as seções eleitorais de setores da população mais vulneráveis.

O Estado também enfrenta escassez de voluntários. Em Palm Beach, das 3,5 mil pessoas que trabalham nas 435 seções do condado, 650 disseram que não aparecerão nos locais de votação hoje, o que pode significar atrasos e longas filas. “Eu não tenho ideia de como serão as coisas”, disse Wendy Sartory Link, que supervisiona as eleições em Palm Beach, o segundo maior dos 67 condados do Estado.

A situação caótica e a incerteza embaralham ainda mais a disputa democrata em um momento decisivo. Biden mantém uma vantagem de 151 delegados sobre Sanders. O placar atual seria de 894 a 743, segundo estimativa da Associated Press – 1.991 delegados são necessários para obter a nomeação do partido.

Sanders precisa, portanto, de vitórias decisivas sobre o rival nas primárias que ainda restam, um resultado que vem sendo cada vez mais improvável. Em condições normais, com vitórias devastadoras de Biden, segundo pesquisas, as prévias de hoje significariam o último suspiro de sua candidatura. No entanto, agora tudo parece possível.

“O coronavírus vem afetando cadeias de suprimentos globais, derrubando mercados e estimulando países a fecharem suas portas para isolar suas populações. Seria muita arrogância pensar que a campanha presidencial americana ficasse imune a esse caos”, disse Joe Trippi, estrategista democrata. (Agências Internacionais)

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