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COVID-19

Americanos encaram reabertura, mas ainda longe da antiga rotina

Dos 50 Estados do país, 32 adotaram medidas para reativar parcialmente os negócios e outros sete têm reabertura já anunciada

Por Agência Estado

14 Maio 2020 às 07:40 • Última atualização 14 Maio 2020 às 10:12

Os sinais de que uma retomada está em curso nos Estados Unidos, depois de dois meses de paralisação e isolamento em razão do coronavírus, ainda estão longe de significar a volta aos padrões pré-pandemia. Dos 50 Estados americanos, 32 adotaram medidas para reativar parcialmente os negócios e outros sete têm reabertura já anunciada.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem encorajado a retomada, apesar de especialistas alertarem para o risco de o país sofrer com uma segunda onda de contágio. Em um painel com senadores, o especialista em doenças infecciosas e integrante da força-tarefa da Casa Branca Anthony Fauci disse que os Estados devem esperar um número decrescente de novas infecções antes de iniciar a reabertura. Mais de 80 mil pessoas morreram em decorrência da Covid-19 nos EUA.

A extensão da reabertura é bastante diferente entre os Estados americanos. Há governadores que autorizaram o funcionamento até de estúdios de tatuagem e casas de massagem, como a Geórgia, e outros mais cautelosos. Mas da Costa Leste à Oeste do país há anúncios que apontam que grandes empresas, universidades, eventos culturais em lugares fechados e até o transporte público não serão os mesmos antes do meio do semestre que vem ou até de 2021.

É o caso, por exemplo, de empresas como Facebook e Google, que anunciaram que os funcionários poderão trabalhar de suas casas até o ano que vem. A Amazon não prevê o fim do home office para antes de outubro. No mercado financeiro há conversas sobre mudanças permanentes, com possibilidade de que nem todos os trabalhadores voltem aos prédios de Wall Street.

Movimentação na região do Queens, em Nova York; estado é o mais afetado do país – Foto: Frank Franklin II / Associated Press / Estadão Conteúdo

A Universidade do Estado da Califórnia anunciou na terça-feira (12) que vai manter a educação online na maioria dos cursos dos 23 campus durante o próximo semestre letivo, que costuma ter início em agosto e se encerrar em dezembro.

“É honesto dizer que junho será quando poderemos fazer algumas mudanças reais”, disse o prefeito de Nova York, Bill de Blasio. “Se os dados mudarem, isso atrasará o momento que poderemos começar a afrouxar as restrições”, disse.

A cidade de Nova York – um dos locais com mais casos em todo o país – atende atualmente apenas quatro dos sete critérios estabelecidos pelo Estado para começar um processo de reabertura.

Novo normal

“Vamos abrir e fechar, abrir e fechar, de acordo com o avanço da epidemia em cada lugar. Vamos acertar, eventualmente, mas não desde o começo”, disse em entrevista ao Estadão a ex-diretora para preparação médica e de biodefesa do Conselho de Segurança Nacional, que assessora a Casa Branca, Luciana Borio. Segundo ela, medidas de distanciamento social e uso de máscaras continuarão a ser exigidas mesmo na reabertura.

Em um artigo sobre o “novo normal” para o site Politico, Borio e a epidemiologista Jennifer Nuzzo, diretora do observatório de surtos da Universidade Johns Hopkins, fazem previsões do que pode ser adotado a seguir.

Segundo elas, empresas que puderem continuarão com teletrabalho, escolas terão de ter flexibilidade para continuar com o ensino a distância, restaurantes vão operar com capacidade limitada, esportes não devem ter público e cinemas, por um bom tempo, continuarão fechados. “A maior parte da transmissão acontece em ambientes fechados, não externos”, afirmou Borio.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.