18 de abril de 2021 Atualizado 18:18

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

Economia

Taxas sobem na sessão regular e caem na estendida com fala de Lira e vacinas

Por Agência Estado

03 mar 2021 às 18:38 • Última atualização 03 mar 2021 às 19:16

Os juros fecharam a sessão regular em alta, a sexta consecutiva, movimento que vem sendo determinado desde a semana passada pelo agravamento das preocupações fiscais e com a pandemia; pelo avanço do rendimento dos Treasuries, que hoje voltaram a flertar com a marca de 1,50% no caso da T-Note de dez anos; e pelo reforço nas apostas de elevação da Selic.

Na etapa estendida, porém, declarações do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reafirmando o compromisso com o teto de gastos e a notícia de que o Ministério da Saúde vai comprar vacinas contra a Covid da Pfizer e da Janssen trouxeram forte alívio. O PIB de 2020 e do quarto trimestre melhor do que a mediana das estimativas até ajudou a melhorar os cálculos de carry over para 2021, mas pouco foi capaz de mexer com as taxas, na medida em que o atual contexto da pandemia deve pesar sobre a atividade nos primeiros meses de 2021.

Após encerrarem a regular nas máximas, as taxas devolveram mais de 40 pontos na estendida no caso dos vencimentos intermediários e longos. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou a regular em 4,01%, de 3,884% ontem no ajuste, fechando a estendida em 3,81%. A do DI para janeiro de 2025, após terminar a regular em 7,77%, terminou a estendida em 7,31%, de 7,496% ontem no ajuste. As taxas para janeiro de 2027 e janeiro de 2031 encerraram a regular em 8,42% e 9,05% (de 8,124% e 8,763% nos ajustes), tendo fechado a estendida em 7,93% e 8,59%.

Ao longo da quarta-feira, o cenário de cautela foi endossado pelo pessimismo com a PEC que vai assegurar o pagamento do auxílio emergencial, dia em que também o governo de São Paulo anunciou a entrada do Estado na fase vermelha a partir de sábado. O mercado temia a possibilidade de o Bolsa Família ser retirado da regra do teto de gastos, diante da pressão de lideranças no Congresso. O alívio veio após Lira afirmar, no Twitter, que “são infundadas todas as especulações sobre furar o teto”. “Tanto o Senado quanto a Câmara votarão as PECs sem nenhum risco ao teto de gastos, sem nenhuma excepcionalidade”, disse.

Com isso, a inclinação, que na etapa regular era de 442 pontos-base – considerando o diferencial entre o DI para janeiro de 2022 e janeiro de 2027 – caiu para 412 pontos na estendida, ante 425 pontos ontem. Favoreceu o movimento também a decisão do Ministério da Saúde de comprar as vacinas da Pfizer e da Janssen, após meses rejeitando propostas destas empresas. Segundo a Pasta, o ministro Eduardo Pazuello pediu para a sua equipe “acelerar” os contratos e a compra com a Pfizer poderia ser concluída ainda hoje.

De todo modo, a devolução de prêmios foi pequena e a curva segue muito empinada, com os vencimentos longos tendo subido quase 100 pontos desde a última terça-feira. Segundo o Banco Fator, o andamento instável da PEC, com dúvidas sobre o teto de gastos e o programa de emergência, se mistura com as incertezas da pandemia, da vacinação, do distanciamento, das ações de Bolsonaro que aumentam a incerteza, uma certa sensação de que o Copom está atrás da curva, de que o Fomc vai ter que mudar de ideia. “Tudo somado, sobe o dólar, sobem os juros”, afirma o relatório do banco, elaborado pelo economista-chefe José Francisco Lima Gonçalves.

André Alírio, operador de renda fixa da Nova Futura Investimentos, atribuiu a piora nos últimos dias à percepção de um processo gradual de mudança no perfil da orientação da política econômica, de liberal para desenvolvimentista, a partir do episódio da mudança no comando da Petrobras. “O cenário envolve uma preocupação em grande escala com as questões reformistas e ajuste fiscal”, afirmou.

Publicidade