Previsões do mercado e como isso afeta seu bolso

Confira o que representa os dados do relatório Focus, com as estimativas do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira


Toda segunda-feira de manhã, o Banco Central divulga o relatório Focus, com as estimavas do mercado financeiro para os principais indicadores da economia. São projeções que, em geral, ganham destaque no noticiário econômico. Principalmente quando há mudanças expressivas nas estimativas em relação a dados dos boletins de semanas anteriores.

Previsões sobre inflação, juros, dólar, crescimento da economia e outras, de acordo com as expectativas do mercado financeiro, tudo está lá. As estimativas são de profissionais do mercado – economistas, analistas, consultores – de mais de 100 instituições – bancos e empresas de consultoria – que o BC ouve toda semana para o boletim.

Os dados não passam de estimativas, que podem mudar a cada momento, de acordo com eventos e expectativas, mas são informações que orientam e balizam as decisões no mercado financeiro envolvendo negócios de clientes e das próprias instituições. E dão ideia de como poderão estar os dados também para quem costuma acompanhar o dia a dia da economia, além de clarear possível cenário à frente, tanto para este como para o próximo ano.

Quem acompanha os dados semanalmente sobre a perspectiva de crescimento da economia deve estar torcendo o nariz. De uma previsão de crescimento de 2,50% e até de 3% para 2019, feita no início do ano, a expansão estimada passou por seguidas revisões para baixo e recuou para 1% no último Focus – um crescimento que, se materializado, ficará abaixo até do de 1,1% registrado nos dois anos anteriores. A ala mais pessimista prevê uma expansão ainda menor, de apenas 0,51% este ano. Para 2020, a estimativa encolheu de 2,50%, da semana anterior, para 2,23%.

Para economistas, a aprovação da reforma previdenciária é condição necessária, mas não suficiente para encaixar o País na trilha do crescimento. Seria preciso também que os agentes passem a confiar na política econômica e na capacidade de ordenamento fiscal do governo, para que o setor privado retome os investimentos, o que exigiria a proposição de outras reformas modernizadoras.

Atrelado à perspectiva de atividade fraca, que vive ampla capacidade ociosa – folga na produção por causa da falta de demanda por bens e serviços –, o mercado de trabalho também tende a continuar patinando, com precária oferta de emprego, e com ele a renda do trabalhador.

Os prognósticos para a inflação são positivos, apesar do repique recente do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) com a previsão de variação acumulada no ano recuando de 4,03%, do boletim da semana anterior, para 3,89%.

A revisão para baixo, que deve continuar nos próximos boletins, não alterou, contudo, a expectativa em relação à taxa básica de juro, para o fim do ano, mantida em 6,50%, indicando que o mercado financeiro não espera nenhuma redução da Selic até o fim de 2019.

A tendência é que a Selic continue baixa ainda por bom tempo, mas o grande desafio para o BC e o sistema financeiro é derrubar os juros cobrados nos financiamentos, proibitivos na maioria das linhas. Tão elevados que impedem o acesso do consumidor ao crédito, necessário para estimular o consumo, a produção, o crescimento econômico e a geração de emprego e renda.

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