Para o controle de dívidas no cartão de crédito, conheça as regras do BC

Desde 2017, despesas feitas em determinado mês poderão ser quitadas de duas formas, para que a dívida não vire uma bola de neve


Você sabe que regras estão valendo para o financiamento de seus gastos no cartão de crédito, pelo rotativo? Tem gente que não sabe nem quais foram seus gastos no mês anterior e, por consequência, se terá condições de pagá-los no vencimento do cartão.

Foto: Divulgação
Cartão ode se tornar uma armadilha que desequilibra a vida financeira e levar a dívidas difíceis de pagar

Por cobrar uma das taxas mais altas do mercado, quem pretende administrar de modo eficaz suas contas no cartão precisa conhecer a legislação que o Banco Central (BC) estabelece para o setor e checar o que vem sendo feito pelo banco

Desde março de 2017, as despesas feitas em determinado mês poderão serão quitadas de duas formas: pagamento integral no vencimento seguinte da fatura ou do porcentual mínimo exigido pelo banco, em geral de 15% do total. No caso do pagamento mínimo, o restante da dívida é financiado pelo crédito rotativo, mas somente por mais 30 dias.

No término desse prazo, o saldo deverá ser quitado totalmente ou parcelado de acordo com as novas condições do cartão: supostamente por taxas mais baixas que as do rotativo, parcelas fixas e prazos mais elásticos, de até 24 meses.

A medida adotada pelo BC tenta evitar que a dívida vire rapidamente uma bola de neve, em função dos altos juros cobrados sobre o saldo devedor. Muitas vezes, o pagamento mínimo é inteiramente engolido pelo acréscimo dos juros. O risco, no caso, é o de o consumidor perder o controle e ser obrigado a assumir um novo parcelamento a cada mês, porque não conseguiu se livrar do rotativo. Quer dizer, por não ter conseguido liquidar o saldo devedor depois de 30 dias após o vencimento da fatura.

Para evitar cair em um festival de parcelamentos, o consumidor deve adotar como primeira providência estancar os gastos com o cartão e promover um corte radical nas despesas. Ao mesmo tempo, ao perceber que não terá condições de liquidar o saldo devedor no vencimento da fatura, convém procurar levantar um financiamento mais barato, seja no crédito pessoal, seja no consignado para zerar essa dívida. Essas duas linhas de crédito cobram taxas menores que as do novo parcelamento do cartão.

A possibilidade de aceitar o parcelamento a ser oferecido automaticamente pelo banco deve ser considerada, mas, nesse caso, o ideal é tentar fazê-lo em menor número de meses possível. Embora as taxas sejam mais baixas do que as do rotativo, quanto maior o prazo de pagamento, mais pesado será o custo final do financiamento.

Procure sempre se informar sobre as taxas cobradas no parcelamento para poder compará-las com as de outras linhas de crédito e identificar a mais atraente. Essas taxas não estão lá muito mais vantajosas que as do rotativo, ao redor de 10% a 11% ao mês, ficam entre 8% e 9% ao mês.

Taxas unificadas nos tipos de acerto do rotativo

O BC também criou duas modalidades de rotativo, conforme o pagamento efetuado. O rotativo regular é aquele que o consumidor paga pelo menos o mínimo exigido no dia de vencimento do cartão; e o rotativo não regular é aquele em que o usuário não consegue fazer pagamento nenhum da fatura.

Em ambos os casos, a dívida é rolada por 30 dias no rotativo e, no fim desse período, terá de ser quitada de uma só vez ou será parcelada compulsoriamente, com prestações e juros prefixados, dentro de uma linha chamada parcelado migrado.

Os bancos vinham cobrando juros diferenciados para as respectivas modalidades, sendo que as do rotativo não regular eram mais altas. Desde junho do ano passado, as taxas devem ser as mesmas para os dois tipos de rotativo, tomando como base a mais baixa. Ficou liberada a cobrança de acréscimos por atraso para o rotativo não regular, uma vez que não houve pagamento mínimo da fatura.

Ao promover a unificação, a expectativa do BC era que houvesse um recuo dos juros, para os níveis do rotativo regular. Na prática, isso nem sempre ocorre. Além dessa medida, os bancos estão autorizados a fixar a parcela mínima a cada mês. A maioria deles manteve essa parcela em 15% do total devido. Ainda que tenha havido todo esse movimento da autoridade monetária no sentido de tornar a linha de crédito do cartão mais barata ao consumidor, os juros continuam proibitivos. E os riscos de a dívida sair do controle permanecem.

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