Mercado imobiliário iniciou reação em 2017

Indicadores de diferentes pesquisas mostram uma reação expressiva do mercado imobiliário em 2017


Indicadores de diferentes pesquisas mostram uma reação expressiva do mercado imobiliário em 2017, o suficiente para esperar por continuidade de crescimento, ou pelo menos de estabilidade, para este ano. Um comportamento a ser acompanhado tanto por quem tem interesse em comprar como pretende vender um imóvel.

A pesquisa feita pela Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, a Embraesp, mostrou que no ano passado, na cidade de São Paulo, houve lançamento de 28,7 mil unidades residenciais, o que representa um aumento de 48% em relação a 2016. Além disso, o número é importante porque indica a quebra de uma série de 3 anos de quedas consecutivas no total de lançamentos.

O levantamento feito pelo Sindicato da Habitação, Secovi-SP, revelou que em 2017 foram comercializados 23,6 imóveis residenciais na capital paulista, com um incremento de 46,1% em relação ao ano anterior. Assim como nos lançamentos, a comercialização quebrou uma série de 3 anos de quedas nas vendas.

Foto: Fotolia
Mercado imobiliário iniciou reação em 2017

Nos lançamentos, a predominância foi de imóveis mais populares, mais econômicos: 67% das unidades foram de 2 dormitórios; 58% tinham área útil menor do que 45 m2; e 50% tinham preço total de até R$ 240 mil. Mas não foi somente esse segmento que registrou bons resultados.

Imóveis com preços entre R$ 7,5 mil e R$ 10 mil o metro quadrado de área útil lançados em 2017 registraram 48% de vendas, e unidades com valores acima dessa faixa (superior a R$ 10,0 mil o metro quadrado) alcançaram o melhor desempenho, com 56% comercializados.

MENOS CRÉDITO

A crise registrada no setor de imóveis se reflete também nos dados sobre financiamentos que foram ficando cada vez mais escassos nos últimos anos. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), houve na média uma queda de 7,4% no volume de crédito para o setor imobiliário, tanto para construtoras como para o comprador final, em todo País, em relação ao ano anterior.

Mas esse comportamento não é uniforme: em São Paulo, a queda foi de 6%, no Rio, de 3%. Já nos Estados ligados ao agronegócio houve crescimento, de 10% em Mato Grosso, 4% em Mato Grosso do Sul e 3% no Tocantins. Quer dizer, considerando outras regiões do País, os números podem ser bem mais positivos do que os de São Paulo. Regina Pitoscia_Agência Estado

Estudo aponta forte demanda habitacional até o ano de 2025

Para o economista-chefe do Sindicato da Habitação, Celso Petrucci, “a reação do mercado imobiliário em 2017 foi surpreendente e superou as expectativas do início do ano”. Ele explica que a retomada dos lançamentos e da comercialização de imóveis novos na cidade de São Paulo contribui para ampliar as perspectivas de retorno do emprego na construção civil a partir do segundo semestre de 2018.

O especialista ainda lembra a importância de um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), realizado em parceria com o Secovi-SP em 2016, que aponta forte demanda habitacional até o ano de 2025. Durante o período de crise (2014/2016), houve represamento desta demanda, o que explica, em parte, a retomada do mercado imobiliário em 2017.

O presidente do Secovi, Flávio Amary, afirma que “tomando como base as expectativas dos empresários do setor imobiliário, aliadas aos dados do Boletim Focus do Banco Central, é possível estimar, para este ano, crescimento nas vendas de 5% a 10%” em relação ao ano passado. Já no que se refere a lançamentos, a estimativa é de estabilidade, destacando que os nível deve ficar próximos aos de 2017, com maior diversificação dos produtos ofertados.

Mas para que o setor possa concretizar essa projeção e gerar mais empregos, segundo Amary, é fundamental que a taxa de juros e a inflação continuem em patamares aceitáveis, que a calibragem da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo do município de São Paulo seja concluída e aprovada, que a Reforma da Previdência caminhe no Congresso Nacional e que haja maior controle do déficit público.

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