Mercado de trabalho tem leve melhora em novembro

Para economistas esse é sinal que a roda da economia está girando, mesmo que em ritmo lento


Ainda não chega a ser motivo para euforia, mas para alimentar um certo otimismo, o fato de o País ter um saldo positivo de 58.664 na criação de vagas formais de emprego em novembro. O resultado foi o melhor para esse mesmo mês, dentro de um período de 8 anos. É sinal de que a roda da economia está girando, mesmo que em ritmo bastante lento para absorver os mais de 12 milhões de brasileiros desempregados.

Foto: AdobeStock
Segundo dados do Caged, mais de 12 milhões de brasileiros continuam desempregados

Os dados foram divulgados na última semana pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Esse dado representa a diferença entre o total de contratações (1 189.414) e o total de demissões (1.130.750) no mês passado, de profissionais com carteira assinada.

Para o diretor de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho, Mário Magalhães, o fato de novembro ter apresentado essa recuperação “significa no mínimo que o ritmo de atividade econômica está acelerado neste final de ano, sinalizando expectativas mais positivas tanto de consumidores como de empresas”.

Vale ressaltar que dois oito setores pesquisados, apenas dois apresentaram a criação líquida positiva de vagas: o do comércio, com 88 587 postos e o de serviços, com 34.319 postos. Os demais setores tiveram o número de demissões superando o de contratações, com a indústria de transformação ocupando a liderança e registrando um saldo negativo de 24.287 vagas, seguido pela agropecuária, de 23.692 vagas, e a construção civil, de 13.854 vagas.

De janeiro a novembro, foram criados 858.415 postos, apontou o Caged, o que representa um avanço diante da geração de 299.635 postos no mesmo período do ano passado.

TRABALHO INTERMITENTE. Um dado a ser destacado é referente à criação de 7. 849 postos de trabalho intermitente e 1.734 em regime de tempo parcial, duas possibilidades de contratação trazidas pela Reforma Trabalhista, de novembro do ano passado.

Números tímidos, diante de expectativas geradas com as novas leis trabalhistas, segundo o professor de Direito e coordenador da área Jurídica do Centro Universitário Internacional Uninter, Ronald Silka. Para ele, a adesão às novas formas de contratação ainda é muito baixa. Do total de vagas geradas da reforma para cá, apenas 12% foram efetuadas com contrato intermitente.

Outra grande promessa da Reforma Trabalhista era reduzir a informalidade, ou seja, os empregos sem carteira assinada. Governo acenou com a possibilidade de 2 milhões de vagas, mas foram criadas apenas 298,3 mil até novembro.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que têm como base informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua apontaram que a informalidade atingiu 37,3 milhões de trabalhadores em 2017. O número representa um crescimento de 1,7 milhão com relação a 2016.

O total de trabalhadores informais em 2017 representa 40,8% de toda a população ocupada (que exerce alguma atividade remunerada) no país, e a Reforma Trabalhista representava uma promessa de diminuir a informalidade no Brasil. “Os números são indicadores de que a falta de vagas faz com que as pessoas, por necessidade, encontrem outra fonte de renda. Esta, sem dúvida, é realizada por meio de serviços informais, ou também conhecidos popularmente como bicos”, explica o professor.

Segundo Silka, a informalidade está ligada ao fato de que o contratante que oferece o trabalho não paga imposto e outros encargos que possam ser decorrentes de uma relação duradoura. Já o contratado encontra no trabalho informal uma forma rápida de receber sem a participação dos vínculos empregatícios, quer dizer, descontos do Imposto de Renda e Previdência Social.

Falta mão de obra qualificada no mercado

Outro fator que alavanca a informalidade é que a grande maioria das vagas de trabalho não são preenchidas porque há falta de mão de obra qualificada. “O que se observa é que a reforma trouxe regras para dinamizar e facilitar a contratação, mas, na prática, inibiu o acesso de trabalhadores na busca por empregos em regime CLT”, explica o professor de Direito e coordenador da área Jurídica do Centro Universitário Internacional Uninter, Ronald Silka.

Segundo especialistas do setor, só o crescimento econômico gera emprego. E na avaliação do professor, para que haja uma evolução orgânica na geração de postos de trabalho, são necessárias políticas públicas para a criação e a manutenção das empresas, e isso pode ocorrer por meio de incentivos do governo, como, por exemplo, a melhoria do sistema tributário com a redução da carga tributária, e principalmente em relação à preparação e qualificação da mão de obra.

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