Juros do cartão devem cair mais, mas sem aliviar o bolso

Desde o dia 1º de junho estão em vigor novas regras para o crédito rotativo do cartão de crédito


Desde o dia 1º de junho estão em vigor novas regras para o crédito rotativo do cartão de crédito. As determinações recentes do Conselho Monetário Nacional são mais um passo no sentido de reduzir os juros nessa linha de crédito.

Quando não quita o total da fatura no dia do seu vencimento, o consumidor é obrigado a recorrer ao crédito rotativo para ir pagando o que deve. E há duas possibilidades para isso: quitar a parcela mínima exigida do saldo devedor e rolar a dívida por mais um mês, dentro do rotativo regular, para depois desse período partir para a renegociação em outras bases; ou não pagar nem essa parcela mínima e entrar no rotativo não regular, para renegociar o total devido.

Foto: Visual Hunt
O uso mais adequado do cartão de crédito ainda continua sendo calibrar as compras

Os bancos vinham cobrando taxas diferenciadas para o rotativo regular e não regular, sendo que a do segundo são bem mais altas. Uma das alterações do CMN unifica a taxa cobrada nos dois tipos de rotativo, pelo o que estiver determinado em contrato para o rotativo regular.

Outra mudança é relativa ao pagamento mínimo exigido a cada mês, que estava fixado em 15% do total do saldo devedor, mas que agora ficará a cargo de cada banco fixá-lo. Quando o consumidor entrar no rotativo não regular, as administradoras poderão cobrar multa de 2% mais juros de 1% ao mês, no máximo. Essa é outra mudança.

Para ter uma ideia das diferenças de taxas de juro entre os dois tipos de rotativo, veja o que era cobrado nos cinco maiores bancos do País no período de 10 a 16 de maio: no Banco do Brasil a taxa no rotativo regular era de 9,14% ao mês e no rotativo não regular, de 11% ao mês; no Santander, de 10,11% e de 17,56% ao mês, respectivamente; na Caixa de 11,07% e 11,20% ao mês; e no Bradesco de 11,74% e de 11,09% ao mês.

Somente no Itaú as taxas estavam no mesmo nível nas duas modalidades do rotativo, em 10,13% ao mês. A partir do dia 1º de junho, nas operações realizadas no crédito rotativo essas taxas foram unificadas pelo nível do rotativo regular, que é mais baixo.

Efeitos da unificação dos juros

A partir do dia 1º de junho, nas operações realizadas no crédito rotativo as taxas entre os dois tipos de rotativos foram unificadas pelo nível do rotativo regular, que é mais baixo.

Como consequência, é possível estimar uma queda dos juros, mas não o suficiente para aliviar de fato o bolso do consumidor. Isso porque algo em torno de 10% a 11% ao mês ainda é pesado para quem já está sufocado por dívidas. Além disso, passado o período de um mês em que ficou no rotativo, o saldo devedor será renegociado em outras bases, com juros e parcelas prefixadas.

Por levantamentos da Associação Brasileira de Empresas de Cartão de Crédito (Abecs), a taxa média das cinco maiores instituições financeiras do mercado nas renegociações ficou em 9,8% ao mês. O que também é pesado para o usuário do cartão endividado, lembrando que durante o período de parcelamento, a renda mensal está comprometida com esse compromisso.

Em função de tudo isso, o uso mais adequado do cartão continua sendo calibrar as compras, de modo a ter condições de pagar o total das despesas no dia de vencimento da fatura. Cair na roda viva do financiamento dos gastos traz risco alto para se atrapalhar com as finanças e tornar-se inadimplente.

Vale a pena buscar outro tipo de crédito, como o consignado, o Empréstimo sob Penhor da Caixa Econômica Federal e até mesmo o crédito pessoal. Todas as linhas operam com juros bem mais baixos que o rotativo.

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