Fatores que devem influenciar os mercados a partir de agora

Após a eleição de Jair Bolsonaro como presidente, os desafios que se colocam à frente do novo governo são gigantescos


Passada a eleição, as propostas de campanha dão lugar, na agenda do presidente eleito neste domingo, Jair Bolsonaro, ao programa de governo. É isso que o mercado financeiro espera, sem disfarçar a ansiedade. Os investidores deverão reagir às novidades, de olho também na definição de prioridades e nas estratégias para a adoção de medidas do programa de governo.

Não fogem às expectativas do mercado financeiro ainda a escolha de nomes que formarão a equipe do novo governo, principalmente na área econômica, e as articulações políticas para a construção de ampla base de apoio parlamentar no Congresso.

Foto: Tânia Rêgo / ABr
O presidente eleito Jair Bolsonaro não terá tempo a perder, segundo especialistas em investimento

É esse conjunto de decisões e medidas que passará aos investidores uma ideia do que poderá ser o pontapé inicial do novo governo que toma posse em 1º de janeiro de 2019. O foco serão as iniciativas e as propostas do novo governo, do presidente e da equipe econômica, e também o Congresso, de quem depende a aprovação das reformas constitucionais, como a da Previdência Social, com votos de dois terços dos congressistas.

Os desafios que se colocam à frente do novo governo são gigantescos e o presidente Bolsonaro não terá tempo a perder, segundo especialistas em investimento. A avaliação é que o presidente eleito estará mais confortável se aproveitar a lua de mel com os eleitores e com o Congresso para encaminhar e tocar rapidamente as propostas de reforma mais importantes logo no início da gestão.

Ainda que a troca de faixa presidencial no Palácio do Planalto ocorra apenas daqui a dois meses, na virada do ano, são as ideias, propostas e as escolhas do presidente que influenciarão e conduzirão, doravante, as expectativas da sociedade e, sobretudo, do mercado financeiro. É a política, mais uma vez, influenciando os rumos da economia.

A definição mais esperada pelo mercado financeiro, na formação da equipe econômica, é a escolha do nome do novo ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central (BC).

Com a vitória do capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro, do PSL, o lugar de ministro da Fazenda estaria reservado ao economista de ideias consideradas liberais e reformistas, Paulo Guedes, guru econômico do candidato do PSL. Uma escolha que seria bem recebida e reduziria o estresse dos mercados em relação à outra escolha, a do nome de quem comandará o Banco Central (BC). O mercado torce pela permanência do atual presidente, Ilan Goldfajn.

A definição dos nomes do time econômico atrai o interesse dos investidores porque tende a sinalizar a ação do novo governo no manejo dos dois principais instrumentos de política econômica: as políticas monetária e cambial.

A monetária consiste no manejo da taxa de juros para o controle da inflação, sustentada pela política de metas inflacionárias. Bem-sucedida no atual governo, essa política calibrou a taxa básica de juros, Selic, a seu nível histórico mais baixo, de 6,50% ao ano, e derrubou a inflação.

A política de câmbio flutuante, em que as intervenções do BC são mínimas, apenas para reduzir oscilações mais bruscas, e as cotações reagem às forças de oferta e demanda de dólar, também tem sido bem-sucedida, porque, escorada também em uma montanha de reservas internacionais, tem mantido o País à margem da instabilidade externa.

Uma escolha que venha ao encontro das expectativas dos investidores tende a levar a uma reação positiva e à continuidade do bom humor no mercado financeiro, especialmente do de ações e dólar.

Medidas econômicas urgentes

Dentre as medidas econômicas que devem ser adotadas pelo novo governo, as consideradas mais urgentes pelo mercado financeiro são as que miram o ajuste fiscal para o equilíbrio das contas públicas. A prioritária é a reforma da Previdência Social.

Outra medida, esta na área tributária, mas com forte impacto fiscal, seria a reformulação do sistema tributário, que poderia incluir a criação de imposto sobre a distribuição de lucros e dividendos e o recolhimento semestral de imposto de renda, o chamado come-cotas, sobre os fundos de investimento fechados.

São medidas que, para entrar em vigor em 2019, precisam ser aprovadas ainda este ano, pelo atual Congresso e sob o governo do presidente Michel Temer, o que parece altamente improvável. Caberia, então, ao novo governo elaborar desde já uma estratégia para aprovação no ano que vem se essas medidas estiverem na agenda de propostas.

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