Como cuidar das aplicações em junho

As dicas apontam para o caminho que leva o investidor de volta à renda fixa


Em maio, o dólar ocupou a liderança no ranking de melhor desempenho, a bolsa desabou e foi a lanterninha. Qual o posicionamento mais adequado para as aplicações nesse mês de junho? A recente onda de turbulência que varreu o mercado financeiro, alimentada pela greve dos caminheiros, levou a maioria dos especialistas do mercado a reavaliar as estratégias de investimento.

As dicas agora apontam para o caminho que leva o investidor de volta às aplicações de renda fixa. De acordo com os especialistas, as aplicações conservadoras que remuneram com juro é o porto mais seguro para a travessia do período de instabilidade que só tenderia a aumentar com a aproximação das eleições. Ainda que com um rendimento bem mais modesto.

Foto: Divulgação
A compra de dólar é indicada pelos especialistas mais para quem vai viajar ao exterior ou tem dívidas com correção cambial

Portanto, a tão alardeada política de diversificação das aplicações, a troca da renda fixa pela renda variável, em busca de uma rentabilidade mais atraente mesmo à custa de maior risco, foi deixada momentaneamente de lado. Isso porque diante da volatilidade e fortes solavancos no mercado de renda variável, especialmente da bolsa de valores e do dólar, o investidor deve preocupar-se mais em proteger o dinheiro do que optar por aplicações mais arriscadas.

A troca da renda variável pela renda fixa significa o retorno a uma rentabilidade miúda. Algo perto de 0,35% ao mês, mas suficiente para assegurar a correção monetária para o dinheiro enquanto o investidor ultrapassa a fase mais aguda de incertezas.

Fator político interfere

O resultado das eleições deverá definir os próximos passos. Se em 28 de outubro sair vitorioso das urnas um candidato que tiver o apoio do mercado, por defender reformas econômicas e o reequilíbrio das contas públicas, principalmente, seria a hora de o investidor retomar a estratégia de diversificação de aplicações à luz de um cenário mais claro e com menos incertezas. A ordem, por enquanto, reafirmam especialistas, é proteger o patrimônio, sem se aventurar em opções de maior risco.

Uma delas é a bolsa de valores, segmento de mercado que mais tem sofrido com o aumento das incertezas políticas e econômicas. Em maio, a Bolsa de São Paulo amargou uma queda de quase 11%. O sentimento de insegurança do investidor com os rumos da política e a economia tem desencorajado a compra final de ações e estimulado o giro rápido de papeis, sobretudo os de maior liquidez ou facilidade de negociação, como os de Petrobrás.

A Bolsa atravessa uma fase de muita instabilidade que só aumenta o risco de quem investe em ações, porque o investidor estrangeiro, cujas compras vinham dando suporte à alta, está em retirada. Há quem entenda que o tombo da bolsa de valores em maio barateou as ações, tornando atraente a compra. Boa parte dos especialistas entende, porém, que o horizonte de incertezas, principalmente eleitorais, torna mais indicada adiar eventual compra para o fim deste ano ou início do próximo.

Gás para o dólar

Se há incertezas em relação à bolsa, há um certo consenso entre os especialistas sobre a perspectiva de continuidade de valorização do dólar. O movimento de alta da moeda americana, iniciado pela expectativa de alta dos juros nos EUA, foi reforçado em maio com a greve dos caminhoneiros, seguido pelo desabastecimento de combustíveis, que colocou a Petrobrás no olho do furacão da crise política.

As concessões feitas pelo governo aos caminhoneiros e os termos do acordo negociado passaram aos investidores a sensação de fragilidade do presidente Michel Temer. Mais preocupante, trouxe de volta o temor de ingerência do governo na gestão da Petrobrás. Um sentimento que estimulou vendas das ações da estatal e a procura por dólar, que teve valorização de 6,65% em maio.

A impressão é que o mercado financeiro, que surfou até recentemente no otimismo de inflação e juros baixos e perspectiva de retomada vigorosa do crescimento, após mais de dois anos de severa recessão, se deu conta de que o movimento dos caminhoneiros e todos seus desdobramentos trouxeram a crise escancarada também para a economia real.

Embora a expectativa seja de valorização do dólar, ainda que não em trajetória linear, a compra de moeda americana é indicada pelos especialistas mais para quem vai viajar ao exterior ou tem dívidas com correção cambial. Enfim, como uma estratégia de proteção ao dinheiro ou como uma diversificação.

Como as cotações estão inclinadas à alta, sem perspectiva aparente de piso, a dica é a compra picada, de pequenos lotes, em momentos de baixa. A estratégia possibilitaria a formação de um estoque de moeda americana por uma cotação média mais baixa que a corrente no mercado.

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