Como a condenação de Lula pode impactar a economia?

A tendência dos mercados vai depender do desenho de cenário da corrida presidencial


Muita água poderá passar ainda por baixo dessa ponte, como reza o ditado popular, mas a ideia geral é que a segunda condenação de Lula, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tira o ex-presidente da corrida eleitoral deste ano e o deixa mais próximo da prisão.

Essa perspectiva gerou reações positivas no mercado financeiro, para quem a condenação afasta a possibilidade de que Lula retorne ao poder e, com ele, tudo o que os investidores temem, uma política econômica com medidas de apelo popular que coloquem em risco o bom andamento da economia, que apenas ensaia entrar nos trilhos.

O efeito desse sentimento, uma combinação de alívio e otimismo, ficou claramente espelhado nos mercados mais sensíveis aos riscos políticos e econômicos. O Índice Bovespa (Ibovespa), principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), disparou e o dólar comercial despencou. A reação do mercado financeiro a eventos dessa natureza é assim mesmo, instantânea, quando não adiantada, antecipando-se às expectativas.

Foto: Divulgação
Condenação de Lula pode trazer impactos na economia brasileira

Ainda que a resposta inicial tenha sido positiva, a tendência dos mercados vai depender do desenho de cenário da corrida presidencial, uma caminhada até as eleições que tende a alimentar incertezas e provocar muitas turbulências.

É possível até que, em um primeiro momento, a bolsa de valores passe por uma correção de preços, pressionados pela venda de investidores que querem materializar os lucros obtidos com a onda de valorização recente das ações. Seria a confirmação do velho ditado de que a bolsa de valores sobe com as expectativas e cai no fato.

É a dinâmica própria do mercado financeiro, que acolhe capitais domésticos e externos à espreita de ganhos, de preferência rápidos, nos diversos segmentos, da renda fixa à variável. O mesmo dinheiro que chega com essa intenção ao País, porém, pode deixá-lo rapidamente se houver mudança de expectativas ou aparecer incertezas político-econômicas.

ECONOMIA REAL

Os efeitos da confirmação da culpa de Lula, de acordo com economistas e analistas, serão diferentes na economia real, a que produz bens e serviços. Embora exista correlação entre o mercado financeiro e o mundo da produção, não dá para estender a animação dos mercados ao setor produtivo, cuja reação é mais lenta e dependerá de uma série de outros desdobramentos ao longo do começo ao fim do processo eleitoral.

Não dá para contar, por exemplo, com um reforço no ritmo de crescimento da economia, estimado em torno de 2,80% a 3% para este ano, na geração adicional de emprego e aumento de renda pela simples expectativa de que Lula ficara fora do jogo eleitoral.

Nos mercados, o aplicador entra com o dinheiro nos diversos segmentos e sai deles quando quiser – basta emitir ordem de compra ou venda ao corretor. Tom Morooka_Agência Estado

Quem será o novo presidente?

Quem tem dinheiro para investir na produção precisa ser mais cauteloso e só tomará essa decisão quando tiver segurança nas regras do jogo econômico. No atual processo eleitoral, a dúvida principal é saber quem será o próximo presidente da República e as linhas gerais da política econômica que o novo governo vai adotar.

A expectativa é que, apesar de alguns bons ventos, a economia siga seu curso de recuperação cíclica puxada pelo consumo. A etapa seguinte, tracionada por novos investimentos, com esperados reflexos positivos sobre o emprego e a renda, terá de aguardar pouco mais, viria apenas com um cenário político mais claro e a escolha do novo presidente.

Os mercados e os que participam deles, mais uma vez, saem na frente, com perspectiva de lucros pela valorização das ações e, dependendo da posição adotada, das oscilações do dólar.

Já quem procura garantir seu emprego ou está atrás de algum não dá para contar ainda com uma perspectiva de rápida melhora de cenário no mercado de trabalho como consequência da aparente diminuição de incertezas no processo eleitoral deste ano.

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