Rios Neto: Redução do questionário do Censo não tem nada a ver com corte de verba


A redução do número de perguntas do questionário que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pretendia fazer à população brasileira no ano que vem, e que gerou muitas polêmicas, nada tem a ver com o corte no orçamento do Censo Demográfico de 2020. Foi o que defendeu nesta sexta-feira, 16, o diretor de Pesquisas do IBGE, Eduardo Rios Neto, durante palestra que fez para alunos do curso de Administração Pública do Insper, na capital paulista.

O enxugamento do questionário, de acordo com os opositores da medida, teria sido uma decisão adotada pelo IBGE para adequar o levantamento demográfico de 2020 ao novo volume de recursos disponibilizado pelo Ministério da Economia para o Censo na esteira do ajuste fiscal por que passa o País. O orçamento passou de R$ 3,1 bilhões para R$ 2,3 bilhões.

O IBGE, sob o comando de Rios Neto, reduziu de 34 para 26 as perguntas do questionário básico, aplicado a todos os domicílios, e de 102 para 76 o questionário completo, feito a apenas 10% dos domicílios brasileiros em relação ao Censo de 2010. Mas minimiza o impacto sobre a eficácia do levantamento que, ao contrário do que se imagina, será mais amplo e seguro do que foi em 2010 por conta da introdução da utilização da tecnologia no recenseamento.

Ainda de acordo com Rios Neto, em 76% dos países do mundo o censo demográfico é menor que o do Brasil. “A Tecnologia permite uma operação mais eficiente, melhores índices de cobertura e qualidade e melhora a coleta de dados nas pesquisas amostrais” disse o diretor do IBGE.

Ele disse ainda que uma das lições aprendidas com o Censo de 2010 é que questionários superdimensionados implicam insuficiência de cobertura em regiões metropolitanas. Em 2010, o questionário inha mais de 200 páginas e 150 mil recenseadores que receberam treinamento de apenas um mês.

“Era muito complexo para um grupo de pessoas que tiveram apenas um mês para dominar um questionamento de mais de 200 páginas”, disse.

Uma novidade no Censo de 2020 é a introdução dos registros administrativos, fontes de dados utilizados tanto por tomadores de decisões como por pesquisadores. Pela primeira vez, o Censo do IBGE vai usar os registros administrativos da Receita Federal e do Cadastro Único como fonte de dados para o Censo.

“Erra quem pensa que Registros Administrativos estão sendo colocados aqui para justificar corte de gastos de Paulo Guedes, ministro da Economia. Isso é teoria da conspiração em seu elevado grau. Não tem nada a ver com justificativa de cortes de verbas”, disse o diretor do IBGE.

O que muda

Dentre as perguntas eliminadas estão a que trata da Emigração Internacional, que foi investigado apenas no Censo de 2010, Trabalho e Rendimento e Característica do domicílio, entre outras. No caso da Emigração Internacional, o IBGE não mais fará este levantamento porque os dados já existem nos Registros Administrativos da Polícia Federal.

No item Trabalho e Rendimento será investigada a renda total do responsável pelo domicílio, tal como no Censo de 2000, e não mais a renda de todos os moradores. Da Características do Domicílio foram retirados itens relativos à posse de bens, tipo de domicílio e condição de uso e posse.

Rios Neto contou também que pesquisas indicam que questionários mais longos podem levar a menores taxas de respostas. Podem ainda afetar a qualidade das respostas por motivos de cansaço, distração, redução do esforço e da concentração dos respondentes.

“Tempo em coletas alternativas é a chave”, disse o diretor do IBGE para justificar a redução do tamanho do questionário e das perguntas.

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