Queda do dólar perde fôlego e moeda americana termina em R$ 4,17


O dólar tentou engatar queda mais forte nesta terça-feira, após subir firme na segunda, mas o movimento perdeu fôlego na parte da tarde. O clima na economia mundial foi de fuga de ativos de risco, após indicadores fracos da indústria dos Estados Unidos aumentarem os temores de recessão na maior economia do mundo. O dólar subiu ante divisas fortes, mas recuou ante emergentes pares do Brasil, com o México, Argentina e Colômbia. No final do dia, fechou aqui em leve queda de 0,09%, a R$ 4,1790.

Nesta terça-feira, o dólar tentou devolver parte dos ganhos de segunda. Pela manhã, chegou a cair a R$ 4,15, na mínima do dia. “O movimento de segunda foi exagerado e nesta terça caiu um pouco”, observa o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, ressaltando que o noticiário externo acabou predominando em dia de agenda doméstica mais fraca. Com o dólar perto dos R$ 4,18/4,19, as mesas começam a puxar as cotações para cima para ver se o Banco Central vai atuar, ressalta ele.

No exterior, pesaram notícias sobre as dificuldades de Estados Unidos e China avançarem nas negociações comerciais. Além disso, continua o impasse sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, o que fez a libra cair pela primeira vez em mais de dois anos e meio abaixo de US$ 1,20. Nos EUA, o índice ISM de atividade industrial caiu para 49,1 em agosto, sinalizando contração no setor manufatureiro do país.

A economista da corretora Stifel Lindsey Piegza ressalta que a piora do ISM ocorre em paralelo com a fraqueza de indicadores da China e da Alemanha, da indefinição do Brexit e da crise argentina, provocando um movimento de fuga de risco dos investidores. Internamente, a produção industrial abaixo do esperado de julho eleva a aposta de queda dos juros, movimento desfavorável para o câmbio, pois torna ativos brasileiros menos atrativos.

O cenário externo mais adverso fez o Citi rever as projeções para o câmbio aqui, com o real devendo ficar mais enfraquecido, conforme relatório divulgado nesta terça. O banco americano espera que o dólar termine o ano em R$ 3,91. Em julho, a expectativa era de dólar a R$ 3,68 no final do ano. O economista do Citi para Brasil, Leonardo Porto, avalia que a chance é de depreciação até maior para o real, principalmente se o cenário externo ficar ainda mais adverso por perda de fôlego mais intenso das principais economias mundiais. O Citi espera que um acordo comercial entre Washington e Pequim não deve vir antes das eleições presidenciais americanas de novembro do ano que vem. Para 2020, a estimativa é de dólar a R$ 3,83.

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