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Moda sustentável

Pandemia impulsiona abertura de brechós

A empresária e estilista ítalo-brasileira, Anne Garcia, destaca a importância do consumo consciente e da moda sustentável

Por Grasieli Aline de Souza - kr2comunicação

21 set 2021 às 07:56

Os valores movimentados no segmento de brechós dobraram desde 2019 e a projeção é que tripliquem até 2025 - Foto: Olivia Gonzalez - Pixabay

Durante a pandemia, muitas pessoas passaram a se conscientizar sobre o consumo de roupas, sapatos e acessórios. Com isso, a busca por peças atemporais ganhou força e, junto com ela, a procura por roupas usadas também. De acordo com o levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a abertura de estabelecimentos que comercializam produtos de segunda mão teve um crescimento de 48,58% entre os primeiros semestres de 2020 e 2021.

Para a estilista e empresária ítalo-brasileira, Anne Garcia, isso mostra que as pessoas estão normalizando a compra de peças usadas e revendo seus hábitos sobre consumo. “Durante a pandemia, com as pessoas ficando mais tempo em casa, elas puderam perceber a quantidade de roupas que acumulavam e passaram a buscar por brechós para dar uma vida mais útil para as roupas. Isso é ótimo, pois evita o descarte excessivo e ajuda o meio ambiente”, comenta a estilista.

De acordo com um estudo realizado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), a indústria têxtil é uma das quatro indústrias que mais consomem recursos naturais no mundo. Com isso, a utilização de água e produtos químicos para lavar as peças também provocam prejuízos ao planeta. Além disso, uma pesquisa realizada pelo Mercado Livre mostrou que houve um aumento de 55% na procura por produtos sustentáveis no último ano. De acordo com o levantamento, apenas no Brasil 1,4 milhão de usuários escolheram produtos da categoria, o que indica que as pessoas passaram a buscar alternativas para minimizar os possíveis danos causados ao meio ambiente.

Há também uma grande importância ecológica para os brechós, já que, no Brasil, são geradas cerca de 170 mil toneladas de lixo têxtil por ano, segundo dados levantados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Na visão da estilista, a questão ambiental foi essencial para a popularização dos brechós. Conforme a pesquisa realizada pela ThreadUP, uma das principais plataformas de revenda de roupas nos Estados Unidos, os valores movimentados no segmento de brechós dobraram desde 2019 e a projeção é que tripliquem até 2025. “Isso é maravilhoso, pois mostra que as pessoas estão valorizando as roupas usadas e caminhando para um estilo mais sustentável, preservando o planeta”, comenta Anne Garcia.

A empresária destaca que o preconceito de comprar peças usadas está acabando e as pessoas estão aderindo cada vez mais ao estilo vintage. “Antigamente, quem comprava em brechó era visto com preconceito, mas isso mudou muito, pois até a elite consome peças de brechós. Na Itália, por exemplo, a população mais rica frequenta brechós e busca por peças exclusivas. Cada grupo de pessoas tem um objetivo, há quem queira preservar o meio ambiente e também há quem procure uma peça, bolsa única ou de coleções passadas. O importante é que as pessoas estão notando o quanto a indústria da moda polui o meio ambiente e estão se conscientizando”, destaca a estilista.

Para Anne Garcia, a principal dica para quem deseja apostar em roupas usadas é verificar se a peça tem algum defeito irreparável. Além disso, para quem deseja comprar pela internet é importante analisar se o site é confiável e se há possibilidade de troca. Outra dica fundamental é optar por cores neutras, visto que poderão ser utilizadas em diversas composições. “Uma camisa branca, por exemplo, é um item indispensável no armário, assim como peças em jeans e alfaiataria. Também é importante escolhermos sempre uma peça que temos certeza que iremos usar, pois não ficará parada no guarda-roupas e servirá como estímulo para outras pessoas”, pontua a empresária.

“Para quem gosta de roupas personalizadas, outra opção pode ser a reforma das peças adquiridas de segunda mão. Com tesoura, cola, linha e agulha, é possível modelar peças totalmente únicas e exclusivas. Escolha a sua peça e arrase no look de forma consciente e sustentável”, finaliza Anne Garcia.

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