Lustosa: política de investimentos vai acelerar venda de carteira do BNDES


De saída da diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no fim desta semana, Eliane Lustosa afirmou nesta quinta-feira que, após definir uma política de investimentos, a área de mercado de capitais da instituição de fomento está pronta para que a nova gestão, capitaneada pelo presidente Gustavo Montezano, pise no acelerador na venda de participações acionárias.

O BNDES tem uma carteira de R$ 110 bilhões em ações de empresas e ampliar as vendas desses ativos é uma das metas de Montezano para este segundo semestre. Segundo Lustosa, isso será possível porque foi feito um trabalho de criação de um arcabouço de políticas de investimento e desinvestimentos para a área de mercado de capitais do BNDES.

O banco de fomento tinha tradição em ter políticas de crédito rígidas, o que contribui para seus baixos níveis de inadimplência, mas o mesmo não era verdade para os investimentos em participações acionárias diretamente nas empresas. “Faltavam as políticas serem escritas”, disse Lustosa a jornalistas, num intervalo do 2º Seminário Vinci Partners de Fundos, no Rio.

De acordo com a executiva, esse trabalho foi feito a partir de “intensa discussão” com os órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU). O arcabouço para as políticas de investimento inclui a definição de regras de “valuation” de empresas e do uso, por exemplo do fluxo de caixa descontado.

O trabalho incluiu também a definição de regras para a contratação de prestadores de serviços, como bancos de investimento para atuarem na coordenação de ofertas, disse Lustosa. Isso é um dos pontos que permitirão à nova diretoria composta por Montezano acelerar as vendas, lançando ofertas secundárias no mercado, por exemplo.

Para a diretora do BNDES, os problemas da falta de políticas de investimento em participações acionárias ficaram claros com a Operação Bullish, da Política Federal e do Ministério Público Federal, que se debruçou sobre os aportes do banco de fomento no frigorífico JBS. Na deflagração da operação, em maio de 2017, dezenas de técnicos do BNDES foram levados para depor de forma coercitiva. Cinco servidores foram denunciados na Justiça Federal, mas o juiz da ação não aceitou a denúncia contra nenhum deles.

Como as investigações tiveram por base auditoria do TCU, Lustosa acha que a operação não teria ocorrido caso as políticas de investimento fossem claras e definidas com participação dos órgãos de controle.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora