Juros têm fechamento misto, com fatores técnicos, coronavírus e risco fiscal


O mercado de juros experimentou uma melhora tênue nesta sexta-feira, 20, com taxas em queda durante boa parte do dia, mas que se esvaiu a partir da última hora dos negócios. A ponta curta terminou a etapa regular com viés de alta, os vencimentos intermediários ainda conseguiram fechar em baixa, enquanto os longos terminaram o dia com forte avanço. Embora o noticiário tenha sido intenso, profissionais da renda fixa afirmam que o segmento de juros está respondendo mais a fatores técnicos, enquanto tentam processar o grande fluxo de informações relacionadas à guerra do coronavírus.

No fim da sessão regular o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021, fechou com taxa de 3,960%, ante ajuste ontem de 3,936%; a do DI para janeiro de 2022 passou de 5,775% para 5,61% e a do DI para janeiro de 2027 fechou na máxima de 8,90%, de 8,573%.

Os bancos centrais voltaram hoje a acionar artilharia pesada para injetar liquidez e melhorar as condições do mercado, o que deu certo alívio às taxas ao longo da sexta-feira, num dia em que o dólar também ajudou, operando mais perto dos R$ 5. Aqui, o BC fez operação compromissada em dólares e o Tesouro continuou atuando para dar saída a vendedores e compradores de títulos, com leilões de NTN-F, LTN e NTN-B, contribuindo para manter a curva sob certo controle. “Hoje aparentemente esteve mais calmo, com anúncios do Fed e o câmbio ajudando, mas sabemos que a situação doméstica é difícil porque o ajuste da economia terá de ser feito novamente pelo setor privado. Vamos ter renúncia fiscal e poderá haver um déficit gigantesco, à la Dilma”, disse o operador de renda fixa da Terra Investimentos, Paulo Nepomuceno.

A renúncia fiscal será necessária para tentar reabilitar a economia derrubada pelos efeitos do coronavírus. O Ministério da Economia reviu sua projeção do PIB de 2020 de 2,1% para 0,02%, que, contudo, ainda parece otimista comparada a de várias instituições, que já veem número negativo.

Na arena fiscal, o espaço é limitado. O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, admitiu que governo pode fechar o ano com um rombo próximo dos R$ 200 bilhões, conforme antecipou o Broadcast, devido à adoção de medidas para frear os impactos econômicos do coronavírus. Segundo ele, a decretação de situação de calamidade permite descumprimento da meta fiscal, que limita o déficit a R$ 124,1 bilhões, mas não é salvaguarda para descumprir o teto de gastos.

Após o forte estresse das últimas semanas, com pesadas ordens de stop loss, o diretor de Gestão e Recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello, afirma que as condições do mercado ficaram muito frágeis. “O prêmio tem de subir com aumento do risco fiscal no radar, não só pelo aumento do gasto mas pela perda de arrecadação, mas o mercado está muito machucado”, disse.

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