Juros futuros reduzem ímpeto de alta após dólar se acomodar em R$ 4,25


O avanço dos juros futuros perdeu força junto com o dólar no fim da tarde e as taxas terminaram a quarta-feira longe das máximas, preservando um viés de alta nos principais contratos. Aparentemente, a nova intervenção do Banco Central no mercado de câmbio, com leilão de venda à vista no começo da tarde, conseguiu frear o ímpeto da moeda, que fechou o dia na casa dos R$ 4,25, após bater máximas acima de R$ 4,27 mais cedo. De todo modo, com o dólar outra vez renovando as máximas do Plano Real, as apostas de queda da Selic continuaram perdendo fôlego na precificação da curva. A aposta de um corte mais brando em dezembro, de 0,25 ponto porcentual, cresceu e já representa possibilidade de 40%, enquanto a chance de Selic estável no Copom de fevereiro já é de 80%.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 4,75% (regular) e 4,77% (estendida), de 4,729% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 5,981% para 5,99% (regular) e 6,01% (estendida). A do DI para janeiro de 2027 encerrou em 6,94% (regular) e 6,96% (estendida), de 6,921% ontem no ajuste.

O volume de contratos negociados foi robusto, embora menor do que ontem, ainda refletindo ajuste nas posições vendidas face ao novo cenário inflacionário de curto prazo. “A pressão do dólar obrigou muito fundo a zerar, mas o grosso do movimento foi ontem. Hoje a curva esteve até bem comportada”, afirmou o sócio-gestor da LAIC-HFM, Vitor Carvalho. Segundo ele, o mercado mudou de patamar e para voltar ao ritmo anterior, “precisaria haver toda uma reversão de expectativas com inflação e cenário externo”.

O mercado monitora o dólar de olho no que pode acontecer com a política monetária nos próximos meses. Embora os documentos do Copom tenham sinalizado claramente que a Selic seria reduzida mais uma vez em 0,50 ponto em dezembro, os investidores já começam a cogitar o risco de um afrouxamento mais modesto. Para Matheus Gallina, trader da Quantitas Asset, o corte de 0,50 ponto “ainda não subiu no telhado”, mas a pressão do dólar “deixa incertezas no ar”. “Pelos modelos e pelas expectativas de inflação, o cenário ainda permanece confortável para mais uma queda de 0,5 ponto. E, olhando só o modelo, teria espaço para um outro corte em fevereiro”, afirmou.

A curva, segundo a Quantitas, aponta 60% de chance de corte de 0,50 ponto e 40% de possibilidade de recuo de 0,25 ponto. Mais cedo, no começo da tarde, quando as taxas futuras subiam com mais força, esse cenário chegou a ser de 50%/50%.

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