Juros futuros fecham em queda com ajustes técnicos, descolados do câmbio


Os juros futuros tiveram momentos distintos nesta sexta-feira, 20, com taxas em alta pela manhã e em baixa durante à tarde, mesmo com o dólar tendo acelerado os ganhos até superar R$ 4,09 nas máximas na jornada vespertina. Nem o noticiário nem a agenda de indicadores serviram de gatilho para os movimentos, que se deram, tanto na subida quanto na queda, a partir de fatores técnicos. Mesmo o IPCA-15 de dezembro acima da mediana foi absorvido sem sustos, com o mercado já contando com um arrefecimento das pressões inflacionárias nos próximos meses.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a sessão regular em 4,63% e a estendida em 4,62%, de 4,661% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 fechou com taxa de 5,97% (regular) e 5,96% (estendida), de 6,062% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 6,64% (regular) e 6,62% (estendida), de 6,722% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2027 caiu de 7,062% ontem no ajuste para 6,99% (regular e estendida). Apesar da queda de hoje, as taxas encerraram em alta a semana em que os documentos do Banco Central sugeriram que o ciclo de cortes da Selic está se encerrando. As taxas curtas avançaram cerca de 15 pontos-base na ponta curta, 20 pontos no miolo e 30 pontos nos longos.

Fontes nas mesas de renda fixa afirmam que as taxas, que subiam pela manhã, viraram a partir de ajustes técnicos. O acúmulo de prêmios recente na curva atraiu algumas ordens de compra, mas isso não muda o cenário de maior cautela com a política monetária nos próximos meses, sobretudo diante da avaliação do Banco Central sobre a retomada da atividade. “Esse movimento se dá também em meio a ajustes de carteira de fim de ano”, afirmou o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira.

O mercado já abriu conhecendo o IPCA-15 de dezembro, que teve alta de 1,05%, superando a mediana das estimativas de 0,96% e chegando perto do teto de 1,08%, com núcleos em aceleração. As carnes, com alta de 17,77%, foram o maior impacto, de 0,48 ponto porcentual. Ainda assim, o mercado relevou, dada a aposta de que a pressão das carnes é pontual. “Só ontem, o preço da arroba do boi no atacado caiu 9%. Nós vimos uma alta desses preços em novembro, que está sendo repassada para o varejo agora, mas começamos a observar um movimento de reversão”, diz a economista o Itaú Unibanco, Julia Passabom.

O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, não vê espaço para a curva fechar muito mais, o que, destaca, “não é pessimismo”, mas apenas a leitura dos sinais de que o processo de desaperto monetário já terminou. “Temos uma inflação persistente, com IGPs acima de 7%, por causa do efeito do câmbio, que não deve se dissipar tão rapidamente até fevereiro. Ademais, até lá as reformas ainda devem continuar sem avanço e, por fim, um dia antes do Copom (5 de fevereiro), sai a produção industrial de dezembro, que deve vir forte”, disse.

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