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Economia

Juros fecham em queda no dia, com fatores técnicos, mas acumulam alta na semana

Por Agência Estado

22 nov 2019 às 18:46 • Última atualização 22 nov 2019 às 19:31

Os juros futuros devolveram boa parte do avanço visto na sessão de quinta, com as taxas dos principais contratos recuando durante toda a sexta-feira. No fechamento, conservavam recuo firme, mesmo com o dólar tendo à tarde zerado as perdas ante o real para terminar o dia estável. Profissionais da área de renda fixa afirmam que o mercado de juros foi muito influenciado por fatores técnicos, com investidores aproveitando para recompor posições vendidas, após o forte movimento de zeragem visto quinta. O IPCA-15 de novembro veio levemente abaixo das estimativas dos analistas, com avanço dos núcleos mas alívio nos preços de serviços. De todo modo, com o recuo das taxas, a curva voltou a mostrar apostas divididas para o Copom de fevereiro.

O volume de contratos negociados foi bastante expressivo, ainda que não tanto quanto quinta. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 4,650% (regular e estendida), de 4,729% quinta no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 5,931% para 5,88% (regular) e 5,87% (estendida). A do DI para janeiro de 2025 terminou em 6,45% (regular e estendida), de 6,501%, e a do DI para janeiro de 2027 recuou de 6,811% para 6,77% (regular e estendida). Na semana, acumularam prêmio, com avanço de cerca de 10 pontos-base.

“Ontem (quinta), teve muito ‘stop’ e isso limpou o técnico”, disse um gestor, para quem, contudo, a perspectiva de avanço da inflação nos próximos meses, ainda que não altere a percepção de que há espaço para ao menos mais um corte da Selic, traz desconforto para ficar aplicado em juros.

O IPCA-15 subiu de 0,09% em outubro para 0,14% em novembro, piso para o mês desde 1998. A mediana das estimativas era de 0,16%. Os núcleos avançaram, mas, na visão dos analistas, nada a ponto de comprometer a percepção de novos cortes para a Selic, mesmo diante também da avaliação de que os preços vão acelerar em novembro e dezembro em razão de uma série de aumentos, como o dos preços das loterias e, principalmente, carnes. “O preço da carne sobe com a China e pela sazonalidade de fim de ano. Não que o BC tenha de ser sensível a isso, mas veremos IPCAs mais altos daqui em diante”, disse o gestor citado mais acima.

“Os núcleos de inflação, tal como as expectativas de inflação, não sugerem até agora qualquer indício mais forte de recuperação, o que continuará dando conforto para o Banco Central manter seu atual plano de condução para a condução da política monetária”, afirmou Felipe Sichel, estrategista do Modalmais.

Na curva a termo, a precificação para a Selic na primeira reunião de 2020, em fevereiro, apontava 52% de chance de corte de 25 pontos-base, ante 35% quinta. Para dezembro, a possibilidade de queda de 0,50 ponto, que quinta estava em 65%, subiu para entre 70% e 75%. Os cálculos são do Haitong Banco de Investimento.