Juros: DIs caem junto com dólar após Fed sinalizar afrouxamento monetário


Depois de passar a maior parte do dia girando ao redor da estabilidade, os juros futuros engataram um movimento de queda na reta final do pregão em meio ao aprofundamento das perdas do dólar após declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano). Apesar do movimento de ajuste de posições à tarde ter incrementado o número de negócios, a liquidez se manteve reduzida, com alguns contratos girando menos da metade do observado na semana passada.

O sócio e gestor de renda fixa da Quantitas, Matheus Gallina, observa que a paralisação da tramitação da reforma da Previdência no Congresso, por conta do recesso parlamentar, tirou apetite dos investidores. “O mercado tem passado por dias monótonos. Mesmo essa questão do Fed impactou mais o dólar que os juros futuros”, diz Gallina, ressaltando que as negociações podem se intensificar à medida que se aproxime a reunião do Copom (dias 30 e 31).

A mudança no rumo dos negócios hoje veio após declarações do presidente da regional de Nova York do Fed, John Willians, trazerem de volta as apostas de que redução em 0,50 ponto porcentual dos Fed funds – hoje na faixa entre 2,25% e 2,50% – no fim deste mês.

Com direto a voto, Williams disse que, em um cenário “desafiador” como o atual, é preciso tomar “medidas rápidas” em resposta a “condições econômicas adversas”. Além disso, ele afirmou que a política monetária tem que estar de prontidão diante de casos de estresse, já que “a expectativa de taxa de juros menores no futuro reduz os rendimentos dos títulos”, o que cria “condições econômicas mais favoráveis” e apoia o crescimento econômico no médio prazo.

Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos – benchmark global da renda fixa – recuaram, o que contribui para o fechamento da curva a termo doméstica. Na ponta longa da estrutura a termo, mais sensível à percepção de risco, o DI para janeiro de 2025 caiu de 6,96% para 6,93%.

“A queda do rendimento dos Treasuries de 10 anos deu um alívio para os emergentes”, diz Paulo Nepomuceno, estrategista de renda fixa da corretora Coinvalores, ressaltando que, para um recuo mais forte das taxas longas depende agora da retomada da tramitação da reforma da Previdência no Congresso, em agosto.

No miolo da curva a termo, DI para janeiro 2021 caiu de 5,578% para 5,53% e DI para janeiro de 2023 foi de 6,38% para 6,35%. Entre os curtos, DI para janeiro de 2020 – que capta mais diretamente as apostas para o rumo da taxa Selic – fechou a 5,695%, ante 5,709% no pregão anterior.

Com o dólar mais fraco, a atividade doméstica estagnada e a aprovação da Previdência em primeiro turno na Câmara, o mercado conta com um corte da Selic na reunião do Copom deste mês. Por ora, as taxas refletem aposta majoritária em redução da taxa básica em 0,25 ponto porcentual, para 6,25% ao ano.

Segundo Gallina, da Quantitas, tanto a liberação de recursos do FGTS quanto um possível reajuste nos preços das loterias não afetam as expectativas para o ciclo de afrouxamento monetário, já que trariam impactos marginais na atividade e na inflação no curto prazo. “Para a decisão do Copom, essas duas medidas têm impacto zero”, diz.

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