Juros caem em correção parcial à véspera e com menor aversão ao risco no exterior


A melhora do ambiente externo, com expectativa de respostas rápidas dos governos à epidemia do coronavírus, manteve os juros em baixa durante toda a sessão desta terça-feira, 10. Porém, as taxas devolveram apenas parte do estresse da véspera, dado que o cenário permanece pessimista sobre os impactos na economia global e há limites para a atuação das autoridades para enfrentar o surto. O recuo foi maior nos vértices intermediários, com alívio de até 16 pontos-base. Internamente, as atuações do Banco Central e Tesouro contribuíram para o ajuste de prêmios, mas o dado da produção industrial ficou em segundo plano.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 3,900%, de 4,009% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2022 caiu de 4,631% para 4,52%. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 6,84%, ante 6,952% da segunda-feira.

“Os ativos registram hoje o espelho de ontem. Isto é, bolsas, DXY e juros de países desenvolvidos para cima; moedas e bolsa emergentes em recuperação, commodities valorizando e juros e prêmios de risco de países emergentes em queda”, resumiu o Banco Fator, em relatório.

Na curva local, segundo a Quantitas Asset, a precificação de corte de 0,25 ponto porcentual da Selic para o Copom de março avançou de 79% para 92% entre a segunda-feira e o dia seguinte e, em contrapartida, a chance de manutenção caiu de 21% para 8%.

“Ontem foi muito pesado, e hoje temos um refresco tanto lá fora quanto aqui, com o BC e o Tesouro atuando para tirar disfuncionalidade dos mercados”, disse o economista da MAG Investimentos, Julio Barros. A decisão do Tesouro de cancelar os leilões de LTN e NTN-F na quinta-feira foi bem recebida, na medida em que a operação representa pressão de alta sobre a curva.

Dentro do debate sobre possíveis ferramentas que iriam além do corte da Selic para fazer frente à crise, cresceu a discussão sobre a possibilidade de revisão ou até revogação da regra do teto dos gastos, mas esse risco não se traduziu ainda na curva de juros. “Ninguém está levando isso como algo real. O Tesouro tem colocado muito claramente a necessidade do ajuste e o mercado ainda não tem entendido isso como algo efetivo, ainda que alguns estejam aventando tal ideia”, disse Barros.

Tanto a equipe econômica quanto o presidente da Câmara, Rodrigo maia (DEM-RJ), rechaçaram a ideia, defendendo o avanço das reformas como a melhor medida para evitar a deterioração da economia. “Esse debate deve e pode acontecer principalmente na parte de investimentos, depois que nós tivemos as despesas correntes organizadas”, comentou Maia.

O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse que a União tem espaço fiscal limitado para qualquer medida de estímulo e que a diretriz nesse cenário de crise é seguir trabalhando pelas reformas.

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