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Economia

Influenciadoras ganham força, mas recebem na base do brinde

Entre os microinfluenciadores, muitas vezes o trabalho nas redes sociais é só uma forma de juntar um dinheiro extra

Por Sofia Hermoso / especial para o Estadão

03 dez 2021 às 11:10

Recebidos do dia, publis, parcerias, mimos… Os termos já fazem parte do vocabulário tanto dos influenciadores digitais quanto de quem os acompanha nas redes sociais. Segundo a pesquisa ROI e Influência de 2021, realizada pela Youpix e pela AlgoritmCOM, 94% das empresas entrevistadas fazem ações remuneradas com influenciadores. Isso, porém, ainda não garante uma renda estável a esses profissionais.

“Quando comecei, aceitei o que veio. Saí do zero para ganhar alguma coisa, então estava feliz. Muita gente começa fazendo permuta”, diz a ex-pedagoga Ana Xisdê, apresentadora e gamer com 400 mil seguidores no Instagram e 360 mil no TikTok.

Para Leandro Bravo, fundador da Cely, startup de marketing de influência que conecta marcas e influenciadores, é importante que as permutas se relacionem com o público-alvo do influenciador. “O problema é que muitas marcas mandam produtos para pessoas aleatórias”, diz, ressaltando que evita esse tipo de relação.

“Tentamos dar um pouco de dinheiro para o influenciador, para ele entender que está sendo valorizado.”

Os valores variam de acordo com o alcance de cada pessoa. “Um influencer com mais de 15 milhões de seguidores pode cobrar, em um único post, a partir de R$ 80 mil. Já um microinfluenciador que tem de 3 a 10 mil seguidores pode se encaixar numa faixa de R$ 500 a R$ 3 mil”, diz Bravo, que afirma também não existir uma métrica que valha para todos os casos.

Carlos Scappini, sócio da Mynd, agência especializada em marketing de influência e entretenimento, explica que a precificação do influenciador condiz com o posicionamento e a relevância do tema a ser abordado. “Não há regulação pelo lado financeiro (na publicidade brasileira), valendo a livre negociação.”

MICRO

Entre os microinfluenciadores, muitas vezes o trabalho nas redes sociais é só uma forma de juntar um dinheiro extra. Esse é o caso da Flávia Akemi, publicitária e microinfluenciadora de 29 anos. Com 6 mil seguidores no Instagram, Flávia cria conteúdo para marcas na agência de publicidade em que trabalha e passou a utilizar seu perfil pessoal dessa forma.

“Como já trabalhei como repórter de moda e beleza, é um assunto de que eu gostava muito, então comecei a levar isso para o meu perfil. Acabou virando essa renda extra, mas não é o meu foco principal”, afirma a publicitária, que aceita fazer permuta em alguns casos.

Formada em Publicidade e Gastronomia, Lena Mattar começou a olhar profissionalmente para as redes sociais após começar a produzir uma newsletter gastronômica. Hoje, possui mais de 30 mil seguidores no Instagram, 15 mil assinantes na newsletter e trabalha com comunicação gastronômica para restaurantes e chefs de cozinha. “O que eu faço é trabalhar com comunicação gastronômica, que é a minha expertise”, afirma.

Para a consultora de mídias sociais Liliane Ferrari, professora da Esalq/USP, o mercado de influenciadores corre o risco de saturação. Ela vê a tendência da cobrança por retorno para o anunciante. “As pessoas que são mais autênticas, que fazem aquilo com envolvimento, costumam ter mais resultados, então deveriam pensar em precificar a partir dos resultados.”

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