Ibovespa fecha em queda de 0,76%; mas sobe 6,85% no mês e 31,58% em 2019


O Ibovespa sucumbiu ao processo de realização de lucro das bolsas norte-americanas nesta segunda-feira, 30, penúltimo pregão do mercado dos Estados Unidos. Em seu último dia de negociação de 2019, o principal índice à vista da B3 tentou firmar-se em alta, com a máxima acima dos 117 mil pontos (117.085,94 pontos), mas a queda em Nova York impediu a continuidade dos ganhos por aqui. No entanto, a Bolsa brasileira encerrou com ganhos pelo quarto mês consecutivo e com a melhor valorização da década. Na mínima, o Ibovespa marcou 115.599,16 pontos.

O principal índice à vista da B3 terminou a segunda-feira com queda de 0,76%, aos 115.645,34 pontos. Como muitos investidores já estão de folga, o volume de negócios somou R$ 15,3 bilhões, aquém por exemplo, dos R$ 16,1 bilhões de sexta-feira, que já fora considerado modesto.

Em dezembro, o Ibovespa acumulou valorização de 6,85% e ganhos de 31,58% em 2019. Há dez anos, a alta fora de apenas 0,43%. Em dólar, a elevação em 2019 foi de 26,5%. Em Nova York, o dia também foi de baixa, após as recentes altas e apesar dos sinais de que o acordo sino-americano ‘fase 1’ será assinado em breve. Por lá, também caminham para fechar 2019 com ganhos expressivos. O Nasdaq, que acumula a maior variação, tem avanço de 34,82% este ano, e caiu 0,67% hoje.

“De maneira geral, esse desempenho melhor em reais deve-se aos fundamentos internos favoráveis. A reforma da Previdência foi aprovada, há retomada da economia doméstica e indicação de melhora do rating do Brasil em 2020”, resume Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Ideias de Investimentos.

Para o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, a expectativa de novo avanço da nota de crédito do País no próximo ano reforça a visão de que o Brasil está fazendo a “lição de casa”. Ao alterar a perspectiva do rating brasileiro, de estável para positiva, no dia 11 de dezembro, a S&P citou que o governo continua a implementar medidas de consolidação voltadas para reduzir o elevado déficit fiscal do País.

“(Além disso), a guerra comercial deixa de preocupar tanto. Ou seja, também tivermos a ajuda de um exterior calmo, o que é mais um bom motivo para a Bolsa brasileira”, diz Laatus, lembrando ainda da descida da Selic para o patamar histórico de baixa de 4,50% ao ano.

Além dos sinais de que o impasse comercial sino-americano está perto do fim, Guimarães acrescenta que os três cortes seguidos promovidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) em 2019 também deram suporte para o mercado acionário externo e também para a B3. “Aqui, também temos perspectivas melhores para a economia doméstica. Isso ocorreu sobretudo após as promoções da Black Friday no varejo brasileiro, que deram um pouco mais de otimismo à economia interna, além do Natal”, afirma o analista da Levante.

Na pesquisa Focus de hoje, houve novo avanço na mediana das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2019, de 1,16% para 1,17%. A estimativa para o PIB de 2020 saiu de alta de 2,28% para 2,30%. Conforme Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença DTVM, a expectativa de aceleração da atividade deve, sem dúvida, reforçar o otimismo na Bolsa em 2020. Mas ele acrescenta que é imprescindível a continuidade de evolução na agenda de reformas.

Para o operador, nem mesmo os ruídos políticos envolvendo a família do presidente Jair Bolsonaro tendem a atrapalhar o bom humor dos investidores. “Mas se atrapalhar na pauta de reformas e na governabilidade, deve gerar desconforto”, pondera Monteiro.

Apesar da valorização da B3 em 2019, seguem as saídas de investimento externo. Em dezembro, o resultado está negativo em R$ 3,752 bilhões e em R$ 43,007 bilhões no acumulado do ano. “O dinheiro especulativo virá, mas é importante que também venham recursos para a economia, investimentos produtivos”, opina Laatus.

Na corrente das maiores valorização na Bolsa hoje, as Units do Santander (2,10%) ficaram na liderança, após anúncio de pagamento de dividendos. Em contrapartida, Via Varejo ON ficou na corrente das maiores quedas (-2,87%).

A despeito de terem encerrado o pregão com recuo de 1,11% (PN) e de 0,53% (ON), as ações da Petrobras fecharam 2019 com valorização de 4,74% no mês (PN) e de 36,82% no ano (PN). Já as ON subiram 2,56% em dezembro e 27,79% em 2019. Os papéis ON da Vale também cederam neste dia (-0,56%), mas terminaram o mês com ganho de 2,56% e de 27,79% em 2019.

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