Ibovespa anda na contramão de bolsas internacionais e fecha em baixa de 1,08%

O Índice Bovespa teve nesta quarta-feira, 7, dois momentos distintos, registrando alta superior a 1% pela manhã e queda na…


O Índice Bovespa teve nesta quarta-feira, 7, dois momentos distintos, registrando alta superior a 1% pela manhã e queda na mesma proporção no período da tarde. Se na primeira etapa dos negócios os resultados da eleição parlamentar dos Estados Unidos favoreceram uma percepção mais favorável aos mercados de maneira geral, na segunda metade do pregão as incertezas e ruídos do cenário doméstico acabaram por incentivar as ordens de venda de ações. Ao final da sessão, o Ibovespa marcou 87.714,35 pontos, com baixa de 1,08%.

Contribuíram em boa parte para a virada os papéis da Petrobras, que inverteram a alta da manhã e terminaram o dia com perdas de 2,21% (ON) e de 3,27% (PN). Ações do setor financeiro, bloco de maior peso na composição do índice, terminaram o dia com perdas que superaram os 3%, como no caso de B3 ON (-3,39%).

“Não houve um fator macro que tenha justificado as oscilações no dia, mas houve muito ruído interno, uma vez que o mercado não vê muita clareza sobre o que será o novo governo. Há declarações desencontradas na equipe e o fato é que o mercado não sabe bem como será a política econômica”, disse Camila de Caso, economista da Spinelli Corretora.

Camila chama a atenção para o fato de o Ibovespa ter andado na contramão dos demais mercados acionários pelo mundo, tanto entre os emergentes como entre os desenvolvidos. No final da tarde, o MSCI Emerging Markets, que mede a variação dos índices de ações de 24 países emergentes, tinha ganho de 1,64%.

Outro fator que contribuiu para as incertezas ao longo do dia foram as especulações em torno da permanência de Ilan Goldfajn na presidência do Banco Central. Ele evitou falar com a imprensa na saída da reunião que teve à tarde com lideranças de partidos na Câmara, onde foi tratar sobre o projeto de autonomia do Banco Central. No encontro, o presidente do BC fez um apelo para que os deputados avancem na discussão.

Na avaliação do chefe de análise de uma grande casa ouvido pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a votação da autonomia do BC ainda neste ano tem potencial significativo para renovar o otimismo do mercado neste período pós eleição, uma vez que a aprovação da reforma da Previdência no curto prazo é algo considerado de possibilidade muito pequena. “Entre as questões com chances reais de serem aprovadas este ano, a autonomia do BC é a que tem poder para manter a chama acesa (do otimismo) no mercado”, afirmou.

Mesmo com as quedas desta quarta e terça-feira(-1,04%), o Ibovespa contabiliza ganho nominal de 6,55% em 30 dias e de 14,81% no acumulado de 2018.

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