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Economia

Externo com dúvidas sobre pacote nos EUA e covid-19 no Brasil fazem Ibovespa cair

Por Agência Estado

15 jan 2021 às 11:01 • Última atualização 15 jan 2021 às 11:43

A aversão a risco contamina os ativos domésticos, sobretudo por causa de incertezas em relação ao pacote de trilhões de dólares anunciado nesta quinta-feira nos EUA. O Ibovespa já cai para a faixa dos 121 mil pontos e a queda na carteira é quase geral (apenas 3 ações subiam às 10h42 desta sexta-feira), enquanto o dólar ainda sobe, mas tenta se distanciar da máxima a R$ 5,2730 vista mais cedo. O movimento pressiona as taxas de juros para cima.

Além da preocupação do investidor com o exterior, a situação agravante em Manaus (AM), onde o Estado sofre com a sobrecarga da rede de saúde e a falta de oferta de oxigênio para atendimento de pacientes continua no radar, com os governos se esquivando das responsabilidades pelo caos na região.

Hoje, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o governo tem feito “além do que pode dentro dos meios que dispõe” para auxiliar no combate à segunda onda da covid-19 em Manaus (AM). Já o presidente Jair Bolsonaro disse ser “terrível” o problema em Manaus e que, “agora, nós fizemos a nossa parte”. Além dessa afirmação, Bolsonaro afirmou que quando credenciou a pandemia do novo coronavírus de “gripezinha”, disse que essa classificação era para si mesmo.

Ainda que não tenha efeito direto nos mercados, o caos no sistema de saúde de Manaus, onde estoques de oxigênio estão chegando ao fim e pacientes estão morrendo por asfixia, pode incomodar os investidores, à medida que coloca em questão a necessidade de mais gastos.

Em meio a um quadro gravíssimo de infecção pela covid-19 e sem oxigênio para toda a população local, outros Estados estão recebendo os pacientes de Manaus. A situação pode se agravar ainda mais nas demais regiões brasileiras, que enfrentam avanço da doença e no número de óbitos. Isso deve exigir mais despesas dos entes da União e muitos deles estão com endividamento elevado, trazendo mais risco para as contas públicas do País.

“No Brasil, o panorama global e o agravamento da situação da pandemia estimulam um dia de postura defensiva dos investidores. O risco da adoção de medidas restritivas pelo País e a pressão por novos gastos para contrapor os efeitos econômicos ficam no radar”, pontua em nota o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria.

Além de os olhares dos investidores ficarem atentos especialmente a Manaus, o governo paulista também deve anunciar novas medidas de restrição social para conter a pandemia de coronavírus. Isso tende a ter impacto negativo sobre ações de setores ligados principalmente a serviços, turismo e nas aéreas, diante de um quadro que não anima. Hoje, o IBGE informou as vendas do varejo. O dado restrito caiu 0,1% em novembro ante outubro e o ampliado subiu 0,6%, ambos abaixo da medianas das projeções (0,3% e 0,85%, respectivamente).

Nem mesmo a alta de 0,77% do minério de ferro no porto chinês de Qingdao ajuda. Além disso, como as ações da Vale acumulam ganhos em torno de 10% só em janeiro, passam por realização. Analistas também não descartam alguma instabilidade na B3 hoje, em antecipação ao vencimento de opções sobre ações na segunda-feira. “Isso pode causar algum estresse e chamar para uma realização maior”, observa Marcio Loréga, analista técnico da Ativa Investimentos.

Também não traz alívio o aumento de 42% no lucro do JPMorgan, a US$ 12,49 bilhões, no quarto trimestre de 2020 ante igual período de 2019, pode trazer algum alento aos mercados acionários. O banco abriu hoje a temporada de balanços norte-americanos do último trimestre do ano passado.

Nos EUA, ontem Biden anunciou o Plano de Resgate da América, o novo pacote fiscal do país que soma US$ 1,9 trilhão, cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. “O mercado está avaliando os efeitos que a ajuda pode acarretar na recuperação da economia”, afirma o economista-chefe do banco digital ModalMais, Álvaro Bandeira, em análise.

A indefinição sobre a permanência de André Brandão no comando do Banco do Brasil também deve ficar no radar, após relatos de que o presidente Jair Bolsonaro pretende destituí-lo do cargo por discordância com o plano de reestruturação da instituição financeira. Funcionários do banco receberam sinalização de que Brandão ficará no comando, mas políticos trabalham para que a demissão se concretize e o plano seja revisto. As ações do BB cediam 1,74%. O Ibovespa caía 1,54%, aos 121.613,76 pontos, mais perto da mínima aos 121.326,56 pontos, do que da máxima aos 123.471,59 pontos.

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