Dólar vai a R$ 3,95, maior valor desde 30 de maio, com temor de guerra cambial


O temor de uma guerra cambial na economia mundial fez o dólar fechar a segunda-feira, 5, no maior nível em mais de dois meses. A moeda americana subiu 1,66% e terminou em R$ 3,9561, a cotação mais alta desde 30 de maio. O nervosismo dos investidores foi reflexo da decisão da China de deixar o dólar romper a marca psicológica dos 7 yuans pela primeira vez desde 2008, movimento que levou o presidente americano a chamar Pequim de “manipulador cambial” e estimular a busca por ativos mais seguros.

A fuga de ativos de risco fez investidores saírem de mercados emergentes e buscarem proteção em ativos no Japão e Suíça e no ouro, que subiu. Por isso, o dólar se enfraqueceu ante divisas fortes, mas se fortaleceu perante moedas de emergentes, como Colômbia (+2,2%), Índia (+2%), Argentina (+1,8%) e África do Sul (+1,1%). Um dos reflexos da fuga do risco é que o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, termômetro do risco-país, subiu para 142 pontos-base na tarde desta segunda, de 132 pontos da sexta-feira.

“A reescalada da tensão entre Washington e Pequim continua a ser o combustível para um movimento de vendas maciças de ativos de risco”, afirma a economista-chefe do grupo financeiro americano Stifel, Lindsey Piegza. Para ela, a piora da tensão comercial entre as duas maiores economias do mundo corre o risco de se transformar em uma guerra cambial, o que contribui para enfraquecer moedas de emergentes e valorizar a de países desenvolvidos. À tarde, o dólar bateu máximas, a R$ 3,9666, com a confirmação pelo Ministério do Comércio da China de que pode suspender novas compras de produtos agrícolas americanos.

Nesse ambiente de menos propensão a tomar risco, os estrategistas do JPMorgan alertam que as moedas de emergentes “parecem crescentemente mais vulneráveis”. Outro banco americano, o Morgan Stanley, ressalta que a alocação em moedas destas regiões, principalmente real, peso mexicano, lira turca e rand da África do Sul, caiu para 23% desde que o Fed se mostrou menos “dovish”, na última quarta-feira (31) e Trump anunciou novas tarifas para a China (1º). O aumento na volatilidade desde então mostra que cresceram os movimentos mais defensivos, aponta o banco americano.

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