Dólar tem maior queda diária em quase 11 meses e recua para R$ 4,10


O dólar fechou nesta quarta-feira em queda de 1,76%, o maior recuo diário desde 8 de outubro do ano passado (-2,40%), terminando a quarta-feira em R$ 4,1053. O noticiário externo mais positivo, tanto na China como no processo de saída do Reino Unido da União Europeia, estimulou a procura por ativos de risco, o que acabou enfraquecendo o dólar e favorecendo as moedas de emergentes. O real foi uma das que mais se valorizaram, perdendo apenas para o rand, da África do Sul. A votação da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado também foi bem vista pelas mesas de câmbio.

Na máxima, a moeda chegou a encostar em R$ 4,16, mas ampliou o ritmo de queda na parte da tarde e, na mínima, baixou a R$ 4,09.

O dólar caiu de forma generalizada, tanto ante divisas de emergentes como de países desenvolvidos. O índice DXY, que mede o comportamento da moeda americana ante uma cesta de divisas principais, como a libra e o iene, teve uma das maiores quedas das últimas semanas, de 0,54%. A libra subiu mais de 1% ante o dólar, com o aumento da percepção de que o Brexit não vai ocorrer sem acordo.

Na China, avanço de indicadores da atividade, incluindo um número do setor de serviços mais forte que o previsto, aliviou temores de piora da economia. Ainda na Ásia, a decisão de Hong Kong de retirar a polêmica lei de extradições, que foi estopim dos protestos nos últimos meses, também ajudou a trazer alívio aos mercados internacionais.

“Depois de uma sequência de altas do dólar, o dia foi de alívio para moedas de emergentes, influenciado por dados positivos da China”, afirma o gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini, que também mencionou a ajuda de discursos de dirigentes do Federal Reserve, que corroboram a percepção de cortes de juros pela frente. Apesar da trégua, para o executivo, neste momento é difícil o dólar cair abaixo de R$ 4,00. Só notícias domésticas positivas sobre o crescimento da economia ou da agenda do governo ajudariam a valorizar mais o real.

Os economistas do Bradesco calculam que, pelo “valor justo”, o câmbio deveria estar atualmente mais próximo de R$ 3,80. O banco observa ainda que os indicadores externos da economia, como o déficit em conta corrente e as reservas não são compatíveis com uma grande depreciação da moeda brasileira, principalmente para níveis acima de R$ 4,00. Mas a tendência é que o real continue com “maior sensibilidade ao cenário externo em relação aos pares”, ressalta relatório nesta quarta-feira. “Se houver alguma normalização do ambiente externo, a moeda pode apreciar mais do que os pares”, avalia o Bradesco.

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