Dólar tem 3ª queda seguida e recua para R$ 3,85, menor valor desde 11 de abril


O dólar engatou a terceira queda seguida e terminou a terça-feira, 4, em R$ 3,8568 (-0,80%), o menor nível desde 11 de abril. A retração da moeda americana reflete uma combinação de exterior favorável, marcado por perspectiva de corte de juros nos Estados Unidos e menor tensão comercial, com a perspectiva de avanço mais rápido da reforma da Previdência, destacam profissionais das mesas de câmbio.

Com o clima mais favorável, os grandes investidores vêm desmontando posições defensivas no câmbio. Os estrangeiros reduziram as apostas compradas em dólar no mercado futuro (que apostam na valorização da moeda americana) em US$ 2,2 bilhões apenas nos últimos cinco dias até segunda-feira.

Para o chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, o dólar voltou para patamares mais condizentes com os fundamentos da economia, após ter chegado a R$ 4,10 em meados de maio por conta dos ruídos políticos. Os dois principais fatores por trás desse movimento são a desvalorização da moeda americana no mercado financeiro mundial e o avanço do diálogo do governo com o Congresso, o que começou a gerar no mercado uma maior certeza de aprovação da Previdência.

Apesar do maior otimismo doméstico, Velloni destaca que o estrangeiro ainda segue cauteloso em aportar recursos no Brasil. O executivo acredita que o movimento maior de volta vai se dar em um segundo momento, com a aprovação da Previdência. Em um cenário pré-reforma, e sem maiores estresses políticos e internacionais, ele vê o dólar na casa dos R$ 3,75 a R$ 3,85.

“A incerteza política persiste no Brasil, mas os eventos desta semana melhoraram o cenário para as reformas”, afirma o economista em Londres da consultoria Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia. Ele menciona a aprovação pelo Senado na noite de segunda da Medida Provisória 871, que determina um pente-fino nos benefícios do INSS, como queria o governo.

Os estrategistas do banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH) destacam que o aumento da perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai cortar juros está contribuindo para a queda do dólar, movimento que tende a continuar. Nesta terça, o dólar caiu ante emergentes como México, Colômbia, Turquia e Argentina, e também perdeu valor ante algumas divisas fortes, como o euro.

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