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Economia

Dólar encosta em R$ 5,45, com exterior e ruídos locais

Por Agência Estado

04 fev 2021 às 18:46 • Última atualização 04 fev 2021 às 19:06

O fortalecimento do dólar ante as moedas fortes no exterior, decorrente da aposta de uma performance melhor da economia americana ante a europeia, levou a moeda americana de volta ao nível perto de R$ 5,45. Mais uma vez, o real teve a pior performance ante as 34 divisas mais líquidas. Operadores relatam ainda certa cautela com o cenário político no curto e médio prazo, bem como um fluxo de saída do País.

A moeda americana veio ganhando musculatura ante o real desde o fim da manhã, de forma gradual, porém constante. Do lado externo, o movimento foi disparado pelo enfraquecimento do euro ante o dólar, levando o índice DXY – em que a divisa comum tem peso de mais de 60% – ao maior nível em mais de dois meses. O lento processo de vacinação contra a covid-19 no Velho Continente preocupa o mercado, em meio também à necessidade de novos lockdowns para evitar o espalhamento de novas cepas.

Ao mesmo tempo, a aposta é de que a economia americana deve performar melhor que o restante do planeta, o que alimenta a procura pela moeda dos EUA. O mercado espera que amanhã o relatório de emprego (payroll) ateste o fortalecimento já visto ontem no ADP – que apura somente os dados do setor privado e mostrou a formação de 174 mil novos postos, de 50 mil esperados.

Além do fortalecimento do DXY, o gerente da tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, observou ainda que houve zeragem de posições na tarde de hoje, o que influenciou no fluxo de saída de moeda do Brasil.

Desta forma, o dólar à vista terminou a sessão cotado em R$ 5,4493 (+1,47%). Na máxima, às 16h29, a moeda foi a R$ 5,4573. A mínima do dia (R$ 5,3568) foi registrada logo cedo, às 10h14. Perto das 18h, o dólar futuro subia a R$ 5,439 (+1,66%) e o DXY operava aos 91,517 pontos (+0,38%).

No lado interno, o mercado de câmbio também tem acompanhado o desenrolar das negociações sobre reformas no Congresso com relativa cautela após o otimismo da semana passada. Dificuldades quanto ao foco das medidas e, principalmente, a adesão do Centrão justificam essas apostas mais conservadoras.

Para esta sexta-feira, além do payroll americano, o mercado de câmbio vai observar o anúncio “de extrema importância” prometido pelo presidente Jair Bolsonaro a respeito dos combustíveis. A repórter Lorenna Rodrigues apurou que o governo discute meios para alongar a periodicidade do reajuste de ICMS sobre o produto, o que vai de encontro a uma demanda dos caminhoneiros, que ameaçaram paralisar no começo desta semana. (com Altamiro Silva Junior)

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