Crescimento de 2019 foi afetado por diversos choques, reitera presidente do BC


O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a afirmar na manhã desta segunda-feira, 18, que o crescimento econômico de 2019 no Brasil foi afetado por diversos choques. Em apresentação durante encontro com dirigentes de fintechs, em São Paulo, Campos Neto indicou que o choque trazido pela economia argentina retirou 0,18 ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano.

Já o choque da economia global foi responsável pela perda de 0,29 ponto porcentual do PIB. O choque trazido pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), por sua vez, retirou 0,20 ponto porcentual do PIB.

Um gráfico que consta na apresentação de Campos Neto mostra que a expectativa de crescimento do PIB de 2019 sem os choques era de 1,59%. Em função deles, essa projeção caiu para 0,92%.

Inflação e juros

O presidente do Banco Central voltou também a defender nesta segunda-feira a ideia de que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional da Selic (a taxa básica de juros) “de igual magnitude ao realizado na reunião de outubro”. No mês passado, o BC cortou a Selic em 0,50 ponto porcentual, de 5,50% para 5,00% ao ano.

Esta avaliação também consta de apresentação, publicada no site do BC, que Campos Neto fez durante encontro com dirigentes de fintechs.

Campos Neto também repetiu a ideia de que a conjuntura econômica atual prescreve “política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da estrutural”. O juro estrutural é aquele em que, em tese, há crescimento econômico sem gerar inflação.

“Os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, acrescentou Campos Neto, conforme a apresentação publicada no site.

Recuperação ‘robusta’ do crédito

O presidente do Banco Central voltou a afirmar ainda que a recuperação do crédito no Brasil “segue robusta”. Ele avaliou, conforme a apresentação, que houve redução no custo de crédito e aumento no volume concedido.

Ao tratar da agenda de reformas do atual governo, Campos Neto avaliou que ela é necessária porque o País enfrenta hoje baixo crescimento e produtividade estagnada. O presidente do BC destacou ainda, conforme a apresentação, a importância das reformas no setor financeiro, que “têm apoio popular e elevado impacto na produtividade”.

Linhas de crédito

Campos Neto também tratou, em sua apresentação, de linhas de crédito específicas. Ele voltou a qualificar o cheque especial como uma linha de crédito “regressiva” e repetiu que a educação financeira é a “chave” para a resolução do problema da modalidade, uma das mais caras do mercado.

Em outro momento, Campos Neto voltou a afirmar que o home equity (crédito com garantia de imóvel) tem elevado potencial de crescimento no Brasil.

Pagamentos instantâneos

O presidente do Banco Central voltou a afirmar que a previsão é de que o sistema de pagamentos instantâneos seja implantado no Brasil em 2020.

O sistema permitirá que transferências monetárias eletrônicas sejam feitas 24 horas por dia, sete dias por semana, em todos os dias do ano, com imediata disponibilidade dos fundos.

Autonomia do BC

Campos Neto voltou a fazer nesta segunda-feira uma defesa da autonomia formal do BC. Ele defendeu a ideia de que países com bancos centrais autônomos “têm nível de inflação menor e menor volatilidade da inflação”.

Este comentário, que consta na apresentação feita por Campos Neto, repete uma ideia defendida há anos pelo BC: a de que a autonomia contribui para a política monetária de um país.

Atualmente, existem projetos que tratam da autonomia do BC tramitando em diferentes instâncias do Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado.

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