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Economia

Congresso ajuda e coloca juros em queda

Por Agência Estado

06 Maio 2020 às 18:30 • Última atualização 06 Maio 2020 às 19:21

Movimentações no Congresso motivaram uma reversão na tendência vista pela manhã no mercado de juros e provocaram queda nos vencimentos intermediários e longos da curva. A aprovação na Câmara, em segundo turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento de Guerra, e, principalmente, a reinclusão de categorias no congelamento de salários como contrapartida do socorro a Estados e municípios deram alívio às taxas. Na parte curta da curva, porém, os investidores aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic – a maioria das apostas (60%) era de redução de 0,50 ponto porcentual.

No fim da sessão regular, enquanto a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 subia a 2,745%, ante 2,710% ontem, os demais vencimentos estavam majoritariamente nas mínimas. O janeiro 2022 terminou com a mesma taxa da véspera – 3,530%. O janeiro 2023 recuava a 4,660%, ante 4,72%, e o janeiro 2027 caía a 7,350%, ante 7,450%.

A reversão no mercado veio a partir das 14h30 e ocorreu de forma gradual. A diminuição dos prêmios teve início nos contratos de 2027 adiante, chegando até os vencimentos intermediários. Operadores pontuaram que o mercado recebeu bem a aprovação do Orçamento de Guerra em segundo turno na Câmara.

O fato de a aprovação da PEC da Guerra vir um dia depois de a própria Câmara ter desfigurado o pacote de socorro a Estados e municípios foi lido de maneira otimista com a pauta legislativa – o temor era de uma nova mudança no texto que amplia o poder fogo do Banco Central durante a crise. “O mercado deu uma melhorada com a PEC da Guerra, saiu o mau humor da manhã”, afirmou o gerente da mesa de juros de uma corretora.

Mas o alívio maior veio perto do leilão de fechamento. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), incluiu os professores e os policiais legislativos no grupo de servidores que não poderão ter reajustes até o fim de 2021 no projeto de socorro a Estados e municípios. Ainda que ele tenha poupado do congelamento militares das Forças Armadas, agentes da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal e outras categorias, o profissional acima comentou que aumenta a chance de previsibilidade nos gastos públicos, o que forneceu alívio adicional às taxas.

O diretor de gestão de renda fixa e multimercados da Quantitas Asset, Rogério Braga, lembrou, porém, que os operadores do mercado de juros ficaram a sessão à espera do Copom. “A questão do Orçamento de Guerra deu um impulso para a reversão do sentimento. Mas o mercado ficou em stand-by boa parte do dia”, afirmou.

A aposta da Quantitas é de redução de 0,50 ponto porcentual, embora Braga pondere que o corte de 75 pontos-base ganhou probabilidade relevante.

Nas contas do economista-chefe do Haitong Banco de Investimento, Flavio Serrano, a curva de juros precificava ao fim da sessão regular 60% de chance de redução de 0,50 pp e 40%, de 0,75 pp.

Pesquisa do Projeções Broadcast com 58 instituições mostra que 48 delas apostam em baixa da Selic de 3,75% a 3,25% e 10 veem a taxa a 3,00%.