Bolsas da Europa fecham majoritariamente em alta, com Trump e balanços no radar


As principais bolsas europeias fecharam majoritariamente no positivo nesta quarta-feira, 7, recuperando parte das fortes perdas desde a semana passada, com a recente escalada de tensões entre Estados Unidos e China. Comentários do presidente americano Donald Trump e balanços de empresas influenciaram o pregão europeu desta quarta-feira, que também teve foco nos juros de títulos soberanos.

O índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 0,24% para 368,60 pontos. O setor de tecnologia esteve entre os líderes de ganhos, com alta de 0,89%. Por outro lado, o setor de energia do Stoxx 600 recuou 0,98%, com perdas de petrolíferas como BP (-0,28%), Eni (-1,42%), Shell (-0,47%) e Total (-0,84%), em meio à forte baixa dos preços do petróleo.

O setor bancário recuou 0,77%, em parte devido aos resultados publicados pelo italiano UniCredit (-4,94%), que cortou o guidance para sua receita devido à perspectiva de “juros baixos por mais tempo” na Europa. Além disso, o recuo nos retornos dos bônus soberanos do continente influenciou os papéis de bancos, após o juro do Bund de 10 anos renovar mínimas históricas ao longo da manhã na Alemanha, chegando a tocar -0,613%. O segmento teve baixas significativas como Commerzbank (-6,62%) e Deutsche Bank (-2,04%), mas altas do BPM (+4,72%), Royal Bank of Scotland (+1,79%) e BPER (+1,91%).

A Glencore (-0,89%) também divulgou balanço, indicando recuo de 32% do lucro Ebitda no primeiro semestre de 2019 ante os seis primeiros meses de 2018. O setor de mineração registrou outras perdas como BHP (-1,06%), Anglo American (-0,92%) e Rio Tinto (-0,77%).

Na manhã desta quarta, Trump voltou a atacar a China através do Twitter, afirmando que os chineses admitiram a desvalorização artificial do yuan e que os EUA agora estão “no topo” da disputa comercial. Os comentários impactaram mercados ao redor do mundo, agravando o sentimento de aversão a risco e limitando ganhos nas bolsas europeias.

O quadro de tensões entre Washington e Pequim vem se agravando desde a última semana, quando a perspectiva de progresso nas negociações foi frustrada pelo anúncio de tarifas americanas sobre mais produtos chineses. “Os EUA estão deixando claro que não irão defender o comércio mundial com base em regras”, observa o economista-chefe do JPMorgan, Bruce Kasman, que prevê 40% de risco de recessão em 2019.

No noticiário econômico também estiveram os dados de produção industrial na Alemanha, que caíram em junho ao menor nível desde dezembro de 2016 e a perspectiva é de recuo ainda maior, segundo o vice-presidente do Scotiabank, Derek Holt. “Como os dados são de junho, ainda não cobrem a mais recente escalada de tensões comerciais, que devem impactar os números de agosto em diante”, avalia.

Apesar dos dados fracos da indústria alemã, o índice DAX, de Frankfurt, teve o melhor desempenho entre os principais europeus, com avanço de 0,71% para 11.650,15 pontos. O índice FTSE, da bolsa de Londres, fechou em alta de 0,38%, aos 7.198,70 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, ganhou 0,61% aos 5.266,51 pontos.

As baixas de alguns bancos italianos pesaram sobre o pregão de Milão, que foi exceção ao movimento de alta e fechou em queda de 0,45% para 20.538,85 pontos. O Ibex 35, de Madri, subiu 0,54% para 8.746,10 pontos, e o PSI 20, de Lisboa, avançou 0,14% para 4.839,94 pontos.

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