Bolsas da Europa fecham em queda com tensões EUA-China e Brexit


As principais bolsas europeias encerraram a sessão no negativo, com cinco dos seis índices mais importantes fechando nas mínimas intraday, com exceção da bolsa de Londres. Os mercados ainda repercutem as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, com preocupações sobre o crescimento econômico global pressionando as ações nesta terça-feira.

O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,47% para 367,71 pontos. Em meio à ampliação de perdas do petróleo nos últimos minutos de pregão, o setor de energia europeu registrou perdas como BP (-1,67%), Shell (-1,38%), Engie (-0,67%), Total (-1,34%) e Eni (-0,71%).

O índice FTSE, da bolsa de Londres, caiu 0,72%, para 7.171,69 pontos, enquanto o DAX, da bolsa de Frankfurt, cedeu 0,78%, para 11.567,96 pontos, menor fechamento desde abril deste ano. O índice CAC 40, de Paris, fechou em queda de 0,13%, aos 5.234,65 pontos, menor nível dos últimos dois meses.

Em Milão, o índice FTSE MIB recuou 0,68%, para 20.631,74 pontos, patamar mais baixo desde junho. O índice Ibex 35, de Madri, fechou em queda de 0,89%, aos 8.699,40 pontos, enquanto o PSI 20 de Lisboa perdeu 0,37% e encerrou aos 4.833,38 pontos.

A possibilidade de uma nova rodada de tarifas americanas sobre importações chinesas continua a pesar sobre os pregões ao redor do mundo, enquanto autoridades dentro e fora dos EUA alertam para a desaceleração econômica global causada pela guerra comercial com a China.

Nesta semana, as tensões vêm escalando com a retomada das críticas do presidente Donald Trump à política cambial chinesa, após o dólar atingir seu maior valor ante o iene desde 2008 na segunda-feira. A China, por sua vez, negou que a desvalorização cambial seja usada como ferramenta na disputa comercial, e retaliou na noite de segunda, anunciando que não comprará os produtos agrícolas americanos como acordado durante o G20, em junho.

Para analistas do LPL Research, embora a intensificação das tensões seja preocupante e aumente riscos de decisões políticas difíceis de reverter, as duas potências ainda parecem estar “testando” uma a outra com técnicas rígidas de negociação. O LPL prevê que os mercados sofram “surtos de volatilidade diante dos fundamentos econômicos ainda firmes, mas enfraquecendo”.

Outra questão que permanece gerando incertezas e prejudicando os mercados acionários é a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), processo chamado de “Brexit”. Diante do impasse entre o Brexit sem acordo defendido pelo primeiro-ministro Boris Johnson e a oposição no Parlamento, existe o risco de que o Legislativo convoque eleições antecipadas no país para tentar obter maioria na casa e impedir que Downing Street saia sem termos definidos com a UE.

“O pé de Johnson está firme no acelerador do Brexit sem acordo”, avalia o diretor executivo para Europa da Eusaria, Mujtaba Rahman, pontuando que o premiê sinalizou estar aberto a dialogar se a UE reconsiderar a proposta de saída do governo anterior e a questão alfandegária na fronteira entre as Irlandas. O Eurasia elevou sua estimativa de um divórcio sem acordo de 25% para 30%.

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