Bolsa inicia mês com alta, puxada por exterior e expectativa por cessão onerosa


A criação de vagas acima do esperado nos Estados Unidos em outubro reforçou o tom otimista nos mercados internacionais e até mesmo no doméstico. O Ibovespa iniciou o dia em alta após ceder 1,10% ontem (107.219,83 pontos), retomando os 108 mil pontos.

Às 10h58, subia 1,04%, aos 108.330,84 pontos. A alta das commodities impulsiona os papéis ligados a matérias primas na B3, como Vale ON (2,52% ) e Petrobrás PN (2,53%) e ON (2,23%). Em relação à estatal, ainda pesam, conforme analistas, a expectativas para o leilão da cessão onerosa, marcado para o dia 6 deste mês.

Pouco antes do fechamento deste texto, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou que a assinatura do aditivo da cessão onerosa é uma vitória, após quatro anos de discussão. Em evento no Rio para a assinatura, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que boa parte da construção do futuro está em cima de investimentos em petróleo e gás.

O economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada, afirma que o clima ameno no exterior favorece o ambiente local, após as perdas registradas ontem. “A expectativa pelo leilão da cessão onerosa e pelo anúncio de propostas fiscais na próxima semana se contrapõe à permanência de ruídos políticos”, avalia em nota.

O resultado do chamado payroll se junta aos dados de atividade informados antes na China e no Reino Unido, responsáveis em parte pelo bom humor externo, onde os índices de gerentes de compras do setor industrial (PMI) deste mês atingiram o maior nível em 32 meses e o patamar mais alto em seis meses, respectivamente.

Já nos EUA, o mercado de trabalho gerou 128 mil vagas no mês passado, ficando acima da mediana de 75 mil das estimativas de mercado. A taxa de desemprego subiu a 3,6%, como o esperado, enquanto o salário médio por hora avançou 0,21% no mês em análise, ficando aquém das previsões de 0,30%, mas subindo 3% na comparação interanual.

Lá fora, as bolsas avançaram ainda mais depois do pronunciamento do vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Richard Clarida. Conforme ele, o payroll de outubro foi muito “sólido” e há perspectivas muito boas para a economia. Segundo ele, o cenário base é que a política monetária está em um “bom lugar”.

Enquanto nos EUA, a atividade sugere um quadro mais favorável que o esperado, no Brasil ainda requer cuidados, mas também traz algum alívio, como retratam dados informados nesta manhã. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta de 0,3% registrada na indústria em setembro ante agosto amenizou ligeiramente a distância entre o nível de produção atual e o ponto mais elevado já registrado na série histórica da Pesquisa Industrial Mensal. Em setembro, o patamar de produção estava 16,6% menor que o auge alcançado em maio de 2011.

Já a IHS Markit mostrou que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial do Brasil caiu a 52,2 pontos no mês passado, na comparação com 53,4 em setembro. Apesar da redução, o indicador continua mostrando melhora nas condições de negócio, acima da marca dos 50 pontos, e representa o terceiro mês consecutivo de elevação na produção do setor.

Além disso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que o faturamento da indústria cresceu pelo quarto mês consecutivo em setembro. As vendas do setor cresceram 0,4% em relação a agosto. Entretanto, caíram 0,3% ante setembro de 2018.

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