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Economia

Bolsa fecha em alta de 4,25%, no maior nível desde 10 de março

Por Agência Estado

25 Maio 2020 às 18:01 • Última atualização 25 Maio 2020 às 18:31

Em meio à aceleração do coronavírus no País, nem as restrições de viagem impostas ao Brasil pelo governo americano ontem, ou os momentos pouco republicanos da reunião ministerial do dia 22 de abril, impediram o Ibovespa de iniciar a semana subindo a ladeira, com giro financeiro relativamente sólido apesar do feriado nos EUA pelo Memorial Day.

Puxado pelo segmento de bancos, e com ganhos bem distribuídos a outros setores, como os de siderurgia, consumo, serviços, utilities e construção, o principal índice da B3 fechou nesta segunda-feira em alta de 4,25%, aos 85.663,48 pontos, atingindo assim o maior nível de encerramento desde 10 de março, aos 92.214,47 pontos. O giro financeiro totalizou R$ 21,2 bilhões na sessão, com o Ibovespa oscilando entre mínima de 82.193,33 e máxima de 85.875,60 pontos. No mês, o Ibovespa avança 6,41%, cedendo agora 25,93% no ano.

“O que aconteceu hoje ainda refletiu o que tivemos no fim da sexta-feira, quando, com o índice a vista já fechado, os futuros do Ibovespa saíram de uma queda de 1% para uma alta de quase 2%, enquanto o mercado ia tomando conhecimento do vídeo da reunião de 22 de abril”, diz Matheus Soares, analista da Rico Investimentos. Ele acrescenta que, apesar de todo o ruído em torno da reunião, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi prestigiado pelo presidente Jair Bolsonaro. No momento em que fazia críticas a outros setores do governo, especialmente a áreas de inteligência, Bolsonaro se referiu a Guedes de forma bem positiva, ministro sobre o qual tinha “zero” a reclamar.

“Em breve fala, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou na reunião a importância do teto de gastos como premissa que permitiu a redução dos juros, e Bolsonaro fez uma observação depois, no que pareceu um grau de alinhamento com a equipe econômica e a questão fiscal”, acrescenta Soares.

Em outra passagem mais notória da reunião, a retórica urgente utilizada pelo ministro da Economia, ao comentar a necessidade de privatizar o Banco do Brasil, colocou a ação ON da instituição na ponta do segmento nesta sessão, em alta de 10,49% no fechamento. Entre as blue chips, destaque também para Petrobras PN e ON com ganhos, respectivamente, de 4,34% e 4,20% no fechamento, em dia positivo para o petróleo. Na ponta positiva do Ibovespa, Via Varejo subiu hoje 15,57%, seguida por CVC (+13,07%), Sabesp (+12,97%), Cyrela (+12,43%) e MRV (+12,12%).

A perda de força para os preços da carne brasileira na China colocou as ações de frigoríficos em terreno negativo na sessão, com Marfrig em baixa de 2,61% e Minerva, de 1,79%. A acomodação do dólar abaixo de R$ 5,50, a R$ 5,4579 (-2,18%) no fechamento de hoje, contribuiu para segurar mais uma vez as ações do setor de papel e celulose, com Suzano na ponta negativa do Ibovespa, em baixa de 2,36%, superada apenas por Marfrig, com Klabin logo abaixo (-1,72%), pouco atrás de Minerva. Ao fim, apenas sete ações do Ibovespa fecharam hoje no negativo, entre as quais Vale (-0,34%).

Até o meio da tarde, as compras de ações na B3 estavam concentradas em seis instituições, quatro das quais estrangeiras, com Goldman Sachs na ponta, enquanto XP era a maior vendedora da sessão. No mesmo intervalo, Banco do Brasil se mantinha entre as duas mais negociadas ações do dia. “À parte a questão da saúde, privatização é como música para os ouvidos do mercado. E mesmo que a efetiva venda do Banco do Brasil seja algo bem difícil de o Congresso aprovar, a referência ao BB mostra preocupação com a qualidade da gestão, o que acaba ajudando também o papel”, diz um operador.