Apple e incertezas com economia dos EUA pesam e bolsas de NY caem

As bolsas de Nova York fecharam com queda expressiva esta quinta-feira, 3, depois que notícias ruins da Apple fizeram a…


As bolsas de Nova York fecharam com queda expressiva esta quinta-feira, 3, depois que notícias ruins da Apple fizeram a ação da giant tech despencar. O cenário pessimista para o mercado acionário se acentuou com sinais negativos da indústria americana, que elevaram preocupações com uma recessão no país.

O Dow Jones fechou em queda de 2,83%, aos 22.686,22 pontos, enquanto S&P 500 recuou 2,48%, para 2.447,89 pontos, e o Nasdaq cedeu 3,04%, a 6.463,50 pontos.

O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, divulgou no after hours de quarta-feira que a companhia revisou para baixo a previsão de lucro no primeiro trimestre fiscal, ressaltando os resultados abaixo do esperado especialmente na China, onde a economia mostra desaceleração em meio também à guerra tarifária com os EUA. A notícia fez a ação da companhia atingir 10% de queda durante o pregão e fechar com recuou de 9,96%, além de arrastar outras empresas do setor, como Amazon (-2,52%), Microsoft (3,68%) e Google (-2,77%), a registraram perdas acentuadas.

O movimento de revisão baixista, para o diretor do Conselho de Assuntos Econômicos da Casa Branca, Kevin Hassett, não deve ser isolado. Outras empresas americanas com negócios na China devem sentir o peso da desaceleração econômica e “verão, pelo menos, parte do seu quadro de lucro azedar um pouco”. Além disso, economistas do UBS destacam que a fraqueza em moedas de países em desenvolvimento, como da Índia, Turquia e Rússia, “pesou sobre as vendas e forçou a Apple a aumentar os preços” e poderia “ter implicações mais amplas para as empresas dos EUA com receita desproporcional em emergentes”.

Ainda assim, Hassett pontuou, em uma entrevista, que “aqueles que lucram nos EUA provavelmente vão surpreender positivamente”. Mas um indicador da indústria no país aquém do esperado acentuou as existentes preocupações com uma recessão em solo americano. No início da tarde, o Instituto para a Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) dos EUA informou que seu índice de atividade industrial do país recuou de forma mais acentuada do que o esperado por analistas. Com isso, o setor industrial foi fortemente penalizado e marcou queda de mais de 3% – Boeing caiu 3,99%, Caterpillar recuou 3,85% e 3M cedeu 3,77%.

“Juntamente com a recente fraqueza na Europa e na China, o relatório desta quinta do ISM confirma que o crescimento global deve cair no início de 2019”, destaca o estrategista global Credit Suisse, Jeremy Schwartz. Ele acrescenta que “os EUA provavelmente superarão o resto do mundo, mas não estarão imunes a uma desaceleração global”.

De quarta=feira para esta quinta-feira, as apostas para a política monetária nos EUA monitoradas pelo CME Group mostram um aumento nas chances de que a taxa de juros chegue ao final de 2019 em um nível menor do que o atual – faixa entre 2,25% e 2,50%. Hoje, 36,3% das apostas apontam que os juros cairão para a faixa entre 2,00% e 2,25% em dezembro, enquanto na quarta apenas 9,2% sinalizavam esse patamar. As chances de que a taxa sofra uma queda maior, para o intervalo entre 1,75% e 2,00%, subiram de 0,4% para 11,1% de quarta para quinta-feira. Há um mês, 72,9% das apostas apontavam que a taxa de juros seria elevada pelo menos uma vez.

O setor financeiro, diante do contexto, também sofreu perdas significativas. Todos os principais bancos fecharam no vermelho, com destaque para a queda nos papéis do Morgan Stanley (-1,78%), Citi (-1,81%) e Goldman Sachs (-1,46%).

Investidores estarão atentos, ainda, ao relatório de empregos (payroll) dos EUA, divulgado nesta sexta, e à fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, que pode trazer sinalizações sobre a postura da instituição diante do contexto da economia no país.

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