Alívio externo e melhora na articulação política abrem espaço para queda do dólar


Depois de dois pregões seguidos de alta, em que chegou a flertar com os R$ 4, o dólar recuou na sessão desta quarta-feira, 8. Segundo operadores, agentes aproveitaram o arrefecimento da aversão ao risco lá fora, após sinais de distensão na disputa comercial entre EUA e China, e a percepção de que o governo Jair Bolsonaro tenta acertar os ponteiros com o Centrão para promover ajustes técnicos e realizar lucros de posições compradas. Afora uma pequena alta pela manhã, o dólar passou o dia em queda e, com mínima de R$ 3,9259, encerrou cotado a R$ 3,9331, em queda de 0,91%. Em maio, a moeda americana ainda avança 0,30% ante o real.

Os ajustes de posições teriam começado na tarde de terça-feira, após notícias de recriação de dois ministérios (Cidades e Integração Nacional), o que abriria espaço para abrigar mais partidos no governo, e prosseguido nesta quarta com notícias do encontro de Bolsonaro com governadores para angariar apoio à reforma da Previdência. Pela tarde, a participação serena do ministro da Economia, Paulo Guedes, em audiência na comissão especial da Câmara que analisa a reforma da Previdência evitou que houvesse espaço para movimentos especulativos. A sessão segue em andamento.

Segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, o recuo do dólar desta quarta não representa uma mudança de tendência capaz de levar a cotação a furar o piso de R$ 3,90 no curto prazo. Na ausência de pressões externas, agentes apenas aproveitaram para realizar lucros e zerar posições compradas “em excesso ou que começaram a ficar desconfortáveis” após a alta recente da moeda americana.
“O mercado ainda está basicamente ‘comprado’ e com muita gente fazendo hedge”, diz Galhardo, que aposta em dólar girando entre piso de R$ 3,90 e teto de R$ 4 até que haja sinais concretos de que a reforma da Previdência será aprovada sem uma diluição expressiva.

Além da cautela dos investidores locais, operadores notam que os estrangeiros seguem reticentes em se posicionar em ativos domésticos. Isso inibe desmontagem mais fortes de posições compradas no mercado futuro, o que impede um fortalecimento do real. Além disso, eventuais movimentos de fortalecimento global do dólar têm reflexos no mercado doméstico, o que dá sustentação aos comprados.

O operador Thiago Silêncio, da CM Capital Markets, salienta que o mercado local segue sensível ao ambiente externo e que a apreciação do real nesta quarta é apenas fruto de ajustes técnicos “A questão comercial entre China e Estados Unidos ainda não está resolvida e o dólar pode voltar a se fortalecer lá fora. Enquanto não houver algo mais concreto sobre a Previdência, o dólar aqui não vai se descolar do que acontece no exterior”, diz Silêncio.

O volume negociado no mercado futuro era expressivo, de US$ 20,98 bilhões às 17h13, o que corrobora a percepção de que houve uma rearranjo de posições. No horário acima, o dólar futuro para maio recuava 0,94%, a R$ 3,9425. No mercado à vista, o giro atingiu US$ 1,886 bilhão.

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