Um pedaço de Portugal em SP, mas só no papel

Quando Florinda Pereira se mudou para a Rua Aimberê, há cerca de 60 anos, o chão era de terra, as…


Quando Florinda Pereira se mudou para a Rua Aimberê, há cerca de 60 anos, o chão era de terra, as residências, casas baixas e parte dos moradores tinha origem portuguesa, como ela. “Aqui se chamava Rua Lisboa antes”, conta a aposentada, nascida há 86 anos em uma vila próxima à cidade de Coimbra.

Hoje, a origem portuguesa não é mais tão evidente na vizinhança de Florinda, no bairro Sumaré, zona oeste paulistana. A situação deveria ser distinta, contudo, pois o Estado cedeu um imóvel na região para receber a primeira Escola Portuguesa internacional do Brasil.

Um ano e seis meses após a assinatura do acordo, o local onde será a escola segue fechado, com mato alto e sem movimentação de pessoas em seu interior. No entorno, moradores ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo sequer sabiam que o terreno é de responsabilidade do governo de Portugal desde junho de 2017, com validade de 20 anos.

O imóvel fica no número 257 da Rua Doutor Paulo Vieira e já foi sede da Diretora de Ensino Centro-Oeste, deslocada para os Campos Elísios, na região central. Na época, o governo português afirmou que a abertura ocorreria no ano letivo 2018/2019, mas hoje não há novo prazo estimado.

Está previsto que o local receba uma escola de educação básica com dupla certificação curricular (aceita tanto no Brasil quanto em Portugal), com 10% das vagas no ensino infantil, fundamental e médio gratuitas para egressos da rede estadual.

Além disso, o acordo prevê um Centro de Língua Portuguesa e um núcleo de formação de professores, voltado para docentes de escolas do Estado. Tudo sob comando do Ministério da Educação de Portugal.

O governo português tem ao menos 12 escolas internacionais em países lusófonos, como Angola, Timor Leste e Moçambique. O terreno no Sumaré tem 5,9 mil m², com 2,1 mil m² de área construída.

“É uma estrutura pronta, que a gente paga (por ser pública), mas o retorno não aparece. Seria legal ter consultado os moradores antes de tomar a decisão”, afirmou o consultor de gestão Celso Nascimento, de 55 anos, morador do bairro. “Não sou contra conceder, desde que seja bom, que traga algum benefício. Aqui o metro quadrado é caríssimo”, disse.

Explicações

Procurada em dezembro, a Secretaria da Educação do Estado informou, por nota, que a Diretoria Regional de Ensino Centro-Oeste enviará um ofício ao Consulado Geral de Portugal em São Paulo para “solicitar informações sobre o andamento da implantação”.

Já o governo português declarou, também por nota, que foram abertas “todas diligências administrativas e legais necessárias à criação da Escola Portuguesa de São Paulo” e que trabalhos de limpeza e manutenção do imóvel terão início “nos próximos dias”. Ainda segundo o texto, “está igualmente em curso o processo de contratação de estudos prévios e projeto, tendo em vista a adequação do imóvel às necessidades de funcionamento da Escola Portuguesa”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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