Último dia da 2ª fase da Fuvest tem prova exigente e trabalhosa

Alunos elogiaram a redução da maratona de exames, mas reclamaram da falta de tempo para resolver todas as questões


Reduzida a dois dias de provas, a segunda fase da Fuvest, porta de entrada para a Universidade de São Paulo (USP), terminou nesta segunda-feira, 7, com testes específicos relacionados às carreiras escolhidas pelos estudantes. Os alunos elogiaram a redução da maratona de exames, mas reclamaram da falta de tempo para resolver todas as questões.

Segundo professores de cursinhos ouvidos pelo Estado, as questões desta segunda-feira foram exigentes. Os estudantes resolveram provas dissertativas de Matemática, Física, Química, Biologia, Geografia e História, em um total de 12 questões. As disciplinas cobradas variaram de acordo com o curso escolhido.

“A prova foi mais trabalhosa do que no ano anterior. Em todas as questões, de todas as matérias, havia três itens para responder e isso não era o padrão”, explica Daniel Perry, coordenador do Anglo Vestibulares.

Segundo Perry, a extensão da prova pode ter relação com a redução do número de dias desta etapa pela Fuvest. Até o ano passado, a segunda fase do vestibular tinha três dias de duração. Neste ano, passou para dois. “Possivelmente se buscou elaborar questões que discriminassem mais, que selecionassem melhor.”

Coordenadora pedagógica do curso Objetivo, a professora Vera Lúcia da Costa Antunes destacou, além da extensão, a exigência de habilidade de interpretação. “Foram 12 questões, multiplicadas por três (itens). É muita coisa para o tempo. Os alunos reclamaram”, disse. “A prova demandava uma leitura cuidadosa”, acrescentou. Segundo Vera, o teste de Química foi o mais complicado desta segunda-feira.

“A prova de Química tinha enunciados longos e resoluções mais extensas, com cálculos matemáticos trabalhosos. Química vai ser decisiva para cursos de alta concorrência como Medicina”, diz Vera. Segundo ela, outra prova trabalhosa foi a de Física. Já Matemática, tradicional vilã dos candidatos, assustou menos neste ano, segundo professores de cursinhos.

Em História e Geografia, contou pontos a capacidade de leitura de diferentes tipos de texto, como gráficos, mapas e propagandas. Temas atuais foram usados para contextualizar questões na prova de Geografia.

“Foi uma prova muito interessante. Uma questão cobrava a formação de cavernas e o clima relacionando com o que aconteceu na Tailândia (em junho, quando 12 crianças de um time de futebol e seu treinador ficaram presos na caverna de Tham Luang)”, exemplifica Rodrigo Fulgêncio, diretor do Poliedro. Outra abordou o tsunami que ocorreu na Indonésia em setembro do ano passado.

Apesar das dificuldades com o tempo de resolução da prova, o dia a menos de testes na segunda fase agradou os candidatos, que elogiaram a chance de se preparem melhor para os temas relacionados à carreira escolhida. “Melhorou muito, pois está focando aquilo que interessa. Vou fazer Design, não vejo necessidade de ser testado em Biologia e Química, por exemplo”, disse Guilherme Stecca, 18 anos.

“Ficou mais direcionado, a gente não perde o foco. Além disso, com três dias, o exame fica muito cansativo. Há um maior desgaste físico e psicológico”, afirmou Taís Takeda, que pretende cursar Agronomia. Enzo de Almeida, 18 anos, que concorre a uma vaga em Economia, destacou a perda de rendimento do candidato quando o exame é muito longo. “No terceiro dia, você está acabado pelo cansaço. Acho que dois dias são suficientes. Pega a parte que é básica para o curso e alivia para o aluno.”

Concorrendo a uma vaga em Economia, Luiz Antonio Oliveira Ferreira, 17, acrescentou que melhora o desempenho geral dos candidatos com as questões específicas da sua área. “Pude deixar de lado Biologia e Química, que não caem, matérias em que talvez não tivesse um bom desempenho.”Caroline Gomes, 23 anos, que vai fazer Letras, acha que os candidatos a cursos com mais concorrência podem ser prejudicados. “Para eles, acho que a disputa fica maior. No meu caso, não preciso me preocupar com Matemática e Química, por exemplo, que não são da minha área.”

Abstenção e resultados

O último dia de exames registrou índice de abstenção de 8,1% entre os 35.371 convocados. Neste ano, mais candidatos fizeram as provas da segunda fase – foram 13.581 estudantes a mais do que em 2018. A Fuvest divulgará a lista de candidatos aprovados na 1ª chamada no dia 24 de janeiro. A matrícula começa no dia 28.

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